Cláudio Jorge lança álbum sobre negritude e cotas após 7 anos sem discos autorais
O violonista carioca Cláudio Jorge lança em 10 de abril o álbum "Kota, a cor da pele", obra conceitual sobre negritude e ancestralidade. O disco marca o retorno do artista à composição própria após sete anos — o último álbum autoral foi "Samba jazz, de raiz", de 2019.
O título faz trocadilho entre "kota", palavra do kimbundu que designa "o mais velho" ou "aquele que transmite conhecimento", e "cota", referência às políticas de cotas raciais no Brasil. Cláudio Jorge, aos 76 anos, construiu um repertório de 13 faixas sobre cultura negra após dois discos como intérprete — um deles gravado com Guinga.
O que diz o álbum
A percussão conduz o disco inteiro, com base nos ritmos de André Siqueira e Marcelinho Moreira. "A cor da pele é o que define o destino de muitos brasileiros. Quanto mais escura a pele, maiores as barreiras a serem vencidas na luta por cidadania", afirmou Cláudio Jorge no texto de apresentação do álbum. O artista definiu a obra como "manifesto pessoal" e "celebração do processo de consciência da negritude".
O single "O tom do Vinícius", lançado em 14 de março, antecipou o álbum com samba em exaltação ao jogador Vinícius Júnior. A música surgiu de versos indignados de Cláudio Jorge sobre o racismo sofrido pelo atleta em campos da Europa. A faixa foi composta em parceria com Joyce Moreno.
Parcerias e referências
O álbum traz composições com Nei Lopes, Arlindo Cruz, Chico César, Elton Medeiros, Carlinhos Sete Cordas, Humberto Araújo, Ronaldo Barcellos e Joel Silva. "Tia Eulália na xiba", parceria com Nei Lopes gravada originalmente em 1983, fecha o disco com ritmo de origem africana e trompete de Diogo Gomes.
Gravado e mixado por Lourival Franco no estúdio Vale da Tijuca, no Rio de Janeiro, "Kota, a cor da pele" será editado pela Mills Records. A capa traz arte de Oliveira & Naccarato sobre obra de Rubem Valentim.
Com informações de G1 Pop Arte.








