Secretaria de Esportes de SP não sabe onde estão R$ 23 milhões em materiais
Inventário revela rombo e falta de controle na gestão Tarcísio
Pontos-chave
- Inventário aponta sumiço de R$ 23 milhões em materiais da Secretaria de Esportes de SP.
- Notas de empenho somam R$ 51,5 milhões, mas apenas R$ 16,7 milhões em materiais foram encontrados.
- Sindicância será instaurada; especialistas criticam demora na apuração.
- Fiscalização do TCE-SP identificou falhas graves em almoxarifados de 300 municípios.
- Secretário que cobrava apuração foi exonerado pela gestão Tarcísio.
A Secretaria de Esportes de São Paulo não sabe onde estão R$ 23 milhões em materiais adquiridos, segundo inventário solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado em abril de 2026. O levantamento identificou divergências entre o valor das notas de empenho e os itens fisicamente armazenados, levando à instauração de uma sindicância.
Inventário aponta falhas graves
O inventário revelou que, dos R$ 51,5 milhões em notas de empenho para compra de materiais, apenas R$ 16,7 milhões estavam presentes no almoxarifado. A Secretaria rastreou R$ 11,5 milhões em materiais doados, mas o restante dos itens não foi identificado. A comissão de inventário, criada em abril de 2025, registrou falta de zelo e desorganização no armazenamento, com caixotes abertos e empilhados de forma inadequada.
Divergências entre registros e sistema oficial
O TCE-SP identificou diferenças entre os registros do almoxarifado e os dados do Siafem, sistema de controle orçamentário do estado. A ausência de um sistema adequado de controle de estoque contraria a legislação vigente e impede a elaboração de inventário físico confiável. Em junho de 2025, o coordenador da comissão, Sergio Soares, apontou uma discrepância de R$ 34,7 milhões entre os materiais encontrados e o valor contábil.
Providências e pressão interna
Em julho de 2025, o então secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior requereu ao subsecretário de gestão corporativa, Marcelo Nanya, e ao coordenador geral de esportes, Carlos Henrique Araujo, sete providências prioritárias para regularizar as falhas, mas o plano de ação detalhado não foi apresentado. Em outubro, Lemos determinou a criação de uma equipe para apurar o rombo, e em dezembro, Nanya informou sobre a localização de materiais que somavam R$ 11,5 milhões.
Sindicância e transparência questionadas
A Secretaria de Esportes informou que está produzindo um relatório preliminar para subsidiar a instauração de sindicância. Especialistas como Vitor Schirato, professor de direito administrativo da USP, criticam a demora, afirmando que a sindicância deveria ter sido aberta imediatamente. Há relatos de pressão no TCE para atenuar auditorias sobre o governo estadual.
Impacto para projetos esportivos e fiscalização ampliada
O rombo afeta diretamente atletas e projetos esportivos em todo o estado, incluindo regiões como Piracicaba, que dependem de materiais fornecidos pela secretaria. Em março de 2026, o TCE-SP realizou fiscalização surpresa em 300 municípios paulistas, com 368 auditores, focando na gestão de materiais escolares e distribuição de uniformes. Foram apontadas falhas graves em almoxarifados de educação, como em Jundiaí.
Reações e medidas anunciadas
A Secretaria de Esportes afirma compromisso com a correta aplicação dos recursos públicos e transparência. A secretária Helena Reis destacou o papel fundamental do esporte na educação e segurança pública. Empresas questionaram licitações milionárias da pasta para construção de Arenas de Lazer, alegando tratamento diferenciado à empresa vencedora. O secretário que pressionava por apuração foi exonerado pela gestão Tarcísio, segundo o Jornal GGN.
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