Ucrânia retoma oleoduto Druzhba e desbloqueia empréstimo de €90 bi da UE
Reparo no oleoduto russo que abastece Europa viabiliza ajuda financeira e afeta mercado global
Pontos-chave
- Ucrânia retomou em 22/04/2026 o bombeamento pelo oleoduto Druzhba após reparos.
- Retomada condicionou aprovação preliminar de empréstimo de 90 bilhões de euros da UE.
- Oleoduto abastece Hungria e Eslováquia, impactando o mercado energético europeu.
- Retomada pode influenciar preços e disponibilidade de derivados de petróleo no Brasil.
- Conflito Rússia-Ucrânia ainda representa risco de novas interrupções no oleoduto.
A Ucrânia retomou em 22 de abril o bombeamento de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba, que corta seu território rumo à Europa Central, após concluir reparos no trecho danificado em janeiro. A retomada foi condicionada à aprovação preliminar de um empréstimo de cerca de 90 bilhões de euros pela União Europeia, destinado a reforçar as defesas ucranianas e garantir gastos públicos até 2027.
O oleoduto Druzhba é uma das principais rotas para o transporte de petróleo russo à Europa, abastecendo países como Hungria e Eslováquia. A interrupção desde o ataque russo em janeiro afetou diretamente o fornecimento energético da região, que depende fortemente do petróleo russo. A gigante energética húngara MOL confirmou que os primeiros carregamentos devem chegar à Hungria e à Eslováquia já no dia seguinte à retomada.
A decisão de retomar o fluxo ocorreu em meio a tensões políticas entre Kiev e Bruxelas. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que havia bloqueado a aprovação do empréstimo, perdeu as eleições recentemente, abrindo caminho para o acordo. A ministra da Economia da Eslováquia, Denisa Sakova, afirmou que a normalização do abastecimento é esperada nas primeiras horas de quinta-feira.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou a pressão da União Europeia para concluir os reparos, chamando a situação de “chantagem”. “Qual a diferença entre isso e levantar as sanções contra os russos?”, questionou em março, evidenciando o conflito político que permeia o acordo energético e financeiro.
Além do impacto geopolítico, a retomada do oleoduto Druzhba pode influenciar os preços e a disponibilidade de derivados de petróleo na Europa e em mercados industriais brasileiros, como o de Piracicaba, que dependem da estabilidade da cadeia global de suprimentos. A cotação do dólar a R$ 4,96 e a taxa Selic em 14,75% influenciam os custos de importação e investimentos locais.
Oleoduto Druzhba: estratégico para Europa e Ucrânia
O Druzhba é um dos maiores sistemas de transporte de petróleo do mundo, ligando a Rússia a vários países da Europa Central e Oriental. Desde o início da guerra em 2022, o trecho ucraniano foi alvo de ataques e disputas políticas, interrompendo o fluxo e pressionando os países europeus a buscarem fontes alternativas.
A União Europeia impôs bloqueios à maior parte das importações de petróleo russo, mas manteve o oleoduto Druzhba ativo para dar tempo aos países sem litoral, como Hungria e Eslováquia, de se adaptarem. A retomada do transporte representa um compromisso entre Kiev e Bruxelas para garantir recursos financeiros e estabilidade energética, apesar dos riscos de futuras interrupções devido ao conflito em curso.
Impactos para o mercado e indústria local
A normalização do fornecimento pelo Druzhba pode reduzir a volatilidade nos preços do petróleo e derivados na Europa, com reflexos no Brasil, especialmente em regiões industriais como Piracicaba. A indústria local, que depende de derivados importados ou de derivados europeus, pode observar redução nos custos de produção e maior previsibilidade nos investimentos.
Contudo, o cenário permanece incerto. O conflito entre Rússia e Ucrânia ainda pode causar novas interrupções no oleoduto, mantendo a cadeia de suprimentos vulnerável. Além disso, as condições do empréstimo da UE à Ucrânia não foram detalhadas, podendo conter cláusulas políticas que influenciem futuras negociações.
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