Show de Zélia Duncan e Fitti resgata ‘virtude do exagero’ da era do rádio
Espetáculo no Teatro Iguatemi revive melodrama vocal de Ângela Maria e Cauby Peixoto
Pontos-chave
- Show revive a 'virtude do exagero' da música sentimental da era do rádio brasileiro.
- Zélia Duncan e Fitti destacam-se pelo entrosamento e interpretação dramática.
- Espetáculo valoriza o melodrama vocal como qualidade artística e cultural.
- Direção de José Maurício Machline e Giovanna Machline equilibra dramaticidade e estética.
- Roteiro inclui falas que reforçam a dramaticidade, apesar de críticas ao excesso de informações.
Nos dias 15 e 16 de abril de 2026, Zélia Duncan e Fitti apresentaram no Teatro Iguatemi, em São Paulo, o show “Zélia & Fitti ⟺ Angela & Cauby”, que homenageia os cantores Ângela Maria e Cauby Peixoto, ícones do melodrama vocal da era do rádio brasileiro. Críticas apontam que o show resgata a “virtude do exagero”, característica marcante do cancioneiro sentimental do Brasil pré-Bossa Nova.
De acordo com a direção artística assinada por José Maurício Machline e Giovanna Machline, o espetáculo buscou equilibrar a dramaticidade e a intensidade emocional das canções com uma releitura contemporânea, explorando a alternância de tons e o entrosamento das vozes de Zélia Duncan e Fitti. A dupla interpretou clássicos que atravessam as décadas de 1950 a 1970, como “Nunca”, “Quando tu passas por mim”, “Castigo” e duetos como “Miss Suéter” e “Tango pra Tereza”, segundo fontes oficiais do show.
Críticas especializadas destacam que o repertório e a direção enfatizam o melodrama como uma qualidade artística, não apenas como excesso. Essa abordagem valoriza o estilo folhetinesco que marcou a música brasileira antes da Bossa Nova, período em que a dramaticidade e a potência vocal eram requisitos para a interpretação. A crítica destaca que Zélia Duncan e Fitti conseguiram transmitir essa intensidade, especialmente nos duetos, que foram apontados como os pontos altos do espetáculo.
O roteiro do show, elaborado pelo DJ Zé Pedro, inclui falas e récitas das letras entre as canções que reforçam a dramaticidade e criam momentos de conexão emocional com o público, embora críticas tenham apontado excesso de informações como um obstáculo. A alternância dos figurinos em preto e branco e o posicionamento dos cantores na plateia também foram elogiados pela direção, que buscou um refinamento estético para acompanhar o tom das interpretações.
Críticas apontam que Zélia Duncan destacou-se pelo uso de graves profundos que evocam registros masculinos, enquanto Fitti, inicialmente ofuscado, cresceu em cena ao longo do show, mostrando força vocal e teatralidade. A performance reforça a importância cultural de Ângela Maria e Cauby Peixoto, que deixaram legados com mais de 100 e 50 discos, respectivamente, e são símbolos da música sentimental brasileira do século XX, conforme informações de dicionários musicais e fontes oficiais.
A ‘virtude do exagero’ como estética musical e emocional
A era do rádio brasileiro, que antecedeu a Bossa Nova, valorizava a dramaticidade intensa e a potência vocal, características que Ângela Maria e Cauby Peixoto personificaram. Críticas do show ressaltam que a “virtude do exagero” é uma qualidade artística que traduz a intensidade emocional e o melodrama folhetinesco presentes na música sentimental da época. O espetáculo de Zélia Duncan e Fitti busca resgatar essa estética, apresentando-a para um público contemporâneo acostumado a interpretações mais contidas.
De acordo com a análise do repertório e da direção, o melodrama vocal não é tratado como um excesso negativo, mas como um elemento que carrega a história e as paixões do Brasil do século XX. A releitura feita pelos intérpretes reforça a importância cultural dessa estética, que dialoga com as emoções brasileiras e desafia as tendências atuais de minimalismo musical.
Entrosamento e escolha do repertório como pontos fortes
Críticas destacam que o entrosamento entre Zélia Duncan e Fitti é um dos destaques do show, especialmente nos duetos “Miss Suéter” e “Tango pra Tereza”. A alternância de timbres e a interação cênica criam momentos de grande intensidade emocional, que aproximam o público da atmosfera da era do rádio. A direção de José Maurício Machline e Giovanna Machline contribui para essa dinâmica, com escolhas visuais e de posicionamento que valorizam a dramaticidade das canções.
O repertório selecionado, que inclui canções de compositores como Lupicínio Rodrigues, Vinicius de Moraes, Dolores Duran, João Bosco e Aldir Blanc, reforça a diversidade e a riqueza do cancioneiro sentimental brasileiro. Conforme fontes oficiais do espetáculo, essa seleção permite uma narrativa que percorre as paixões, dramas e virtudes do melodrama vocal, estabelecendo um diálogo entre passado e presente.
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