PIRACICABA (SP)
15 de julho de 2015 · 3 min de leitura

UPAs de Piracicaba sofrem com a falta de soro antirrábico

Foto: Divulgação
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A Secretaria de Saúde de Piracicaba alerta a população sobre a falta de soro antirrábico (SAR) nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município. Segundo a Vigilância Epidemiológica, o Instituto Pasteur – referência para a raiva – informa que recebeu comunicado do Ministério da Saúde justificando o desabastecimento do produto em todo o país, o que pode comprometer a profilaxia antirrábica correta.

No comunicado, de abril deste ano, o ministério alega “problemas e atrasos no processo produtivo do soro pelos laboratórios nacionais, que ainda se adequam às boas práticas de fabricação exigidas pela Anvisa”. Ainda de acordo com o documento, “a finalização dos contratos para aquisição para 2015 ainda está em andamento” e que a racionalização da distribuição do soro “deve perdurar pelos próximos meses”.

Segundo Fernanda Lopes Menini, diretora da VE, já está faltando soro no município. “Esse material fica armazenado na VE e é encaminhado às UPAs para aplicação nos casos onde a avaliação médica recomenda seu uso. Atualmente temos que solicitar o material à regional (GVE), que indica se há o soro em algum município do Estado”, disse.

No ofício enviado à VE, o Instituto Pasteur afirma que “não há alternativas para substituir o SAR” e que quando houver indicação do produto e o mesmo não estiver disponível, a recomendação é iniciar a profilaxia com a vacina antirrábica e registrar os dados do paciente para comunicação do mesmo quando o SAR estiver disponível.

“O problema é que o soro só tem eficácia quando administrado antes da terceira dose da vacina, que é aplicada no paciente no sétimo dia após o acidente com o animal suspeito de raiva”, alerta Fernanda.

O secretário de Saúde, Pedro Mello, pede para que a população, especialmente da Zona Rural, tenha cuidado ao manusear animais de grande porte como bovinos e equinos. “Estamos há muitos anos sem casos de raiva em cães e gatos em Piracicaba, mas temos oito casos confirmados este ano em animais de grande porte, vítimas de morcegos hematófagos. Por isso alertamos aos moradores da Zona Rural para ter cuidado na manipulação desse animais, já que a doença pode ser transmitida por mordedura, arranhadura e até mesmo lambedura do animal”.

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DOENÇA
O último caso da raiva humana no estado de São Paulo ocorreu em Dracena, com a morte de uma dona de casa de 52 anos, em julho de 2001. A doença foi constatada após exame laborial realizada pelo Instituto Pasteur. Na época, familiares relataram aos técnicos de saúde que a vítima tinha uma gata e vizinhos a viram brigar com um morcego um mês antes de atacar a dona. A gata não foi mais encontrada. Antes, desde 1997 não havia ocorrência de raiva humana no Estado de São Paulo.

O período de incubação do vírus em suspeitos é variável, pode ser de um mês a um ano. A maioria dos casos ocorre de duas semanas a três meses. A transmissão da raiva ocorre quando o vírus contido na saliva e secreções do animal infectado penetra no tecido, principalmente através da mordida.

As normas técnicas de profilaxia da raiva humana, do Ministério da Saúde, orientam que em casos de ocorrência com cão ou gato suspeitos de raiva no momento da agressão grave, deve-se lavar o local com água e sabão, observar o animal durante dez dias após a exposição e começar o esquema profilático com vacinação.

Se o animal morrer, desaparecer o se tornar raivoso deve-se dar continuidade à vacinação e aplicação do soro. Se o animal permanecer sadio no período de observação, o caso é encerrado.

No caso de acidentes graves por cão ou gato raivosos, desaparecidos ou mortos e animais silvestres, incluindo morcegos, além de lavar com água e sabão, deve-se iniciar imediatamente a aplicação do soro e cinco doses de vacinas (0/3/7/14 e 28 dias).

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