A crise de confiança na Raízen — empresa piracicabana controlada pelo grupo Cosan em parceria com a Shell — continua se aprofundando no mercado financeiro. Mesmo após o interesse da multinacional britânica em aumentar sua participação acionária e o anúncio de uma reorganização societária na companhia, os papéis da Raízen (RAIZ4) fecharam a R$ 0,91 nesta terça-feira (5), acumulando queda de 57,28% em 2025 e quase 90% desde o IPO, em 2021.
A desvalorização é um retrato das dificuldades enfrentadas pela gigante de energia e biocombustíveis, que, apesar do porte e da relevância estratégica, perdeu tração entre investidores. Em cinco anos, o preço da ação caiu de R$ 7,10 para menos de R$ 1, levando o valor de mercado da companhia a apenas R$ 1,24 bilhão, segundo dados da B3.
Reorganização e tentativa de reequilíbrio
A Shell contratou recentemente o banco Lazard para estruturar um novo plano de capitalização da Raízen. A intenção é reforçar o caixa da empresa e ampliar a fatia da britânica na joint venture, sem retirar o controle do grupo Cosan, liderado por Rubens Ometto Silveira Mello, um dos empresários mais influentes do agronegócio e do setor energético brasileiro.
Mesmo assim, o movimento não foi suficiente para conter a sangria na Bolsa. Analistas de mercado apontam que a Raízen enfrenta queda nas margens de lucro, aumento do endividamento e pressão sobre as receitas devido à volatilidade dos preços do açúcar e do etanol — produtos que respondem por grande parte do faturamento do grupo.
A Raízen e a confiança do mercado
Fundada em 2011 e sediada em Piracicaba (SP), a Raízen nasceu com o propósito de ser uma das maiores companhias integradas de energia renovável do mundo, com foco em etanol, biogás, açúcar e distribuição de combustíveis.
Hoje, porém, enfrenta um cenário em que seus ativos e resultados não sustentam o valor de mercado que já teve há alguns anos.
A queda contínua do papel RAIZ4 preocupa investidores e pressiona a credibilidade da governança corporativa. Parte do mercado teme que a Shell acabe ampliando sua influência dentro do grupo caso o desempenho não melhore, abrindo espaço para uma mudança de controle indireta.
Desvalorização e desconfiança
Nos últimos 12 meses, a ação da Raízen caiu 68,73%, mesmo com a recuperação pontual do setor de energia e biocombustíveis.
A empresa também reduziu sua receita em 6,13% no último trimestre, totalizando R$ 54,22 bilhões no consolidado de 2026 (1º trimestre fiscal).
Segundo analistas, o mercado não enxerga clareza na estratégia de crescimento e duvida da capacidade da empresa de gerar resultados sustentáveis a curto prazo. “A Raízen tem bons ativos, mas enfrenta um desafio de gestão e de imagem. Há desconfiança sobre sua eficiência operacional e sobre o impacto da alta alavancagem”, afirmou um consultor