A China restringiu exportações de fertilizantes em março, medida que pode elevar os custos do agronegócio no Brasil a partir do segundo semestre. O país asiático responde por 11,5% das importações brasileiras do insumo, somando mais de US$ 93 milhões em 2025, segundo o Comexstat.
A decisão agrava a escassez global em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um terço do transporte marítimo de fertilizantes. Como reflexo, os preços internacionais da ureia já subiram 40%.
O que mudou
Segundo a agência Reuters, Pequim proibiu exportações de fertilizantes à base de nitrogênio, potássio e fosfato. A medida não foi formalmente anunciada, mas já afeta o mercado: até 40 milhões de toneladas — cerca de metade das exportações chinesas — estariam bloqueadas.
Analistas apontam que a China tem priorizado a segurança alimentar interna, restringindo a oferta externa em momentos de crise global.
Impacto no campo
No Brasil, os efeitos devem aparecer nas próximas safras, já que os insumos da produção atual foram adquiridos antes da escalada do conflito. A tendência é de aumento de custos para produtores rurais, especialmente se as restrições se prolongarem.
Com fertilizantes mais caros, agricultores podem reduzir o uso dos insumos ou optar por culturas menos dependentes, o que pode impactar a produtividade e os preços dos alimentos.
Cenário incerto
Especialistas indicam que as restrições chinesas podem durar ao menos até agosto, o que mantém a pressão sobre o mercado global. O desfecho dependerá tanto da política interna da China quanto da evolução do conflito no Oriente Médio.







