Lula critica colonialismo dos EUA e cobra reforma da ONU em discurso na CELAC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política colonialista dos Estados Unidos e cobrou a reforma do Conselho de Segurança da ONU em discurso na 10ª Cúpula da CELAC, realizada no dia 21 de março em Bogotá. A fala tensiona relações diplomáticas com Washington e reaviva o debate sobre soberania de recursos minerais na América Latina.
O evento reuniu 33 países latino-americanos e caribenhos pela primeira vez em fórum conjunto com os 55 estados africanos — juntos, representam 2,2 bilhões de pessoas. O bloco discute cooperação sul-sul e alternativas à dependência econômica de potências ocidentais, segundo a Agência Brasil.
O que o presidente disse
Lula citou a Bolívia como exemplo de pressão internacional: o país enfrenta cobranças dos EUA para vender minerais críticos como o lítio, essenciais à transição energética. "Agora que a Bolívia tem minerais críticos, é a chance da Bolívia, da África, da América Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles", afirmou. Ele defendeu que esses recursos impulsionem o desenvolvimento tecnológico regional.
A crítica à ONU
O presidente questionou a ineficiência do Conselho de Segurança para impedir conflitos e citou ataques a Irã e guerras em Gaza, Líbia, Iraque e Ucrânia. "O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras", disse. Lula perguntou quando a organização convocará uma reunião para redefinir o papel do Conselho e propôs incluir mais países na composição.
O contraste com a fome
Segundo o presidente, o mundo gastou US$ 2,7 trilhões em armamentos no último ano enquanto 630 milhões de pessoas passam fome. "Essa é a guerra que temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica", defendeu. Participaram da cúpula os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Yamandú Orsi, do Uruguai.
Com informações da Agência Brasil.
