domingo, março 22
PUBLICIDADE

O pianista Cesar Camargo Mariano publicou uma crítica contundente à remixagem do álbum "Elis" (1973), obra que dirigiu musicalmente ao lado de Elis Regina. O protesto reacende o debate sobre os limites éticos de intervenções em obras de artistas falecidos.

A edição remixada e remasterizada foi lançada no dia 17 de março pela Universal Music como celebração pelos 81 anos de Elis Regina, morta em 1982. O projeto foi coordenado por João Marcelo Bôscoli, filho e herdeiro da cantora, com o engenheiro de som Ricardo Camera.

O que diz o arranjador

Mariano afirmou que "ouvi com tristeza" o trabalho e acusou a nova mixagem de "jogar no lixo" meses de criação. Segundo ele, a remixagem alterou planos de mixagem, voz e arranjos, além de incluir instrumentos rejeitados na concepção original. Em "É com esse que eu vou", o teclado RMI foi antecipado em quatro compassos. Em "Doente, Morena", aparecem duas guitarras que não estavam no arranjo final aprovado por Elis.

"Não se pode mexer tecnicamente em uma obra final a este ponto, alterar os planos de mixagem, a voz, os arranjos, os timbres dos instrumentos dos músicos escolhidos a dedo", escreveu Mariano em rede social.

O debate sobre o legado

Não há questão jurídica: Bôscoli é herdeiro e os fonogramas pertencem à Universal, que aprovou o projeto. A polêmica é ética. Mariano defende que remixagens sejam versões alternativas, nunca substitutas do original. O álbum "Elis" completa 53 anos em 2026.

O arranjador citou precedente: em 2004, produziu remixagem do álbum "Elis & Tom" em 5.1 mantendo "o maior respeito por toda a obra original". Bôscoli e a Universal não responderam publicamente até a publicação desta matéria.

Com informações de G1 Pop Arte.

Share.

Comments are closed.

Sair da versão mobile