Petróleo sobe com temor sobre cessar-fogo EUA-Irã
O preço global do petróleo subiu nesta quinta-feira (9), após ataques de Israel no Líbano levantarem dúvidas sobre a durabilidade do cessar-fogo entre EUA e Irã. A ação de Israel gerou alerta do Irã sobre uma possível retaliação.
O que já sabemos:
- Preço do barril de Brent subiu 2%, chegando a US$ 96,53.
- West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, teve alta de 2,8%, cotado a US$ 97,02.
- Irã alertou que responderá aos ataques de Israel no Líbano.
- Navios no Golfo Pérsico foram alertados pela marinha iraniana sobre travessia sem permissão.
- Reabertura do Estreito de Hormuz está condicionada à retirada das "agressões" dos EUA, segundo Irã.
A suspensão das negociações de paz impacta diretamente o mercado financeiro. O acordo provisório previa a reabertura do Estreito de Hormuz, rota crucial para o transporte de petróleo.
Na quarta-feira (8), após o anúncio do cessar-fogo, os preços do petróleo haviam recuado. A expectativa era de que o Estreito de Hormuz voltasse a operar normalmente, aliviando as tensões no mercado de energia.
Impacto nos mercados globais
O receio de que o Irã mantenha o Estreito de Hormuz fechado, devido aos ataques israelenses, reacendeu o temor de interrupção no fornecimento global de energia. O índice Nikkei 225 do Japão fechou em queda de 0,5%. Na Europa, o FTSE 100 do Reino Unido recuou 0,4%, o Dax da Alemanha caiu 1,3% e o Cac da França, 0,8%.
Victoria Scholar, chefe de investimentos da Interactive Investor, destaca a "nervosismo nos mercados globais". Segundo ela, os mercados estão devolvendo parte dos ganhos anteriores, refletindo a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Hormuz.
Implicações para o transporte marítimo
Sim Moh Siong, estrategista do banco OCBC de Singapura, ressalta que o fluxo de embarques de energia através do estreito será o foco nos próximos dias. A incerteza sobre como o Irã planeja supervisionar a movimentação de navios persiste.
A empresa de inteligência marítima Windward informou que o perfil de risco e o número de navios que transitam pelo Estreito de Hormuz não mudaram desde o anúncio do cessar-fogo. Mesmo em um cenário otimista, seriam necessárias semanas para movimentar cargas de gás e petróleo e meses para que o comércio global se aproximasse dos níveis anteriores à crise.
A empresa de transporte de contêineres Hapag-Lloyd, que ainda tem seis navios no Golfo Pérsico, enfrenta dificuldades no planejamento. "Ontem [quarta-feira] foi um dia típico. Recebemos a notícia de que estaria aberto, algo está acontecendo agora, e então à noite não está acontecendo", relatou Nils Haupt ao programa Today.
Haupt alertou que a cobrança de taxas para a passagem pelo Estreito de Hormuz poderia ter um grande impacto. "Se isso significar que, nos próximos anos, haverá uma taxa de milhões para o Estreito de Hormuz, o que é o dobro ou o triplo do preço de atravessar o Canal do Panamá ou o Canal de Suez, seria ridículo para toda a indústria", acrescentou.
O vice-presidente JD Vance deve participar de negociações com o Irã no Paquistão no sábado (12). Até o momento, poucos navios cruzaram o estreito desde o anúncio do acordo – bem abaixo da taxa de cerca de 130 embarcações que transitavam diariamente antes do conflito. A empresa de rastreamento marítimo Pole Star Global estima que levará no mínimo dez dias para eliminar o acúmulo de navios, mesmo que o estreito retome seu volume normal de transporte.
Com informações da BBC.
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