França retira reservas de ouro de Nova York em meio a tensões globais
França repatriou suas reservas de ouro de Nova York entre julho de 2025 e janeiro de 2026, segundo o Banco Central francês. A medida, que envolveu 129 toneladas do metal, gerou um lucro de US$ 12,8 bilhões e transferiu as reservas para Paris.
A operação ocorre em um momento em que bancos centrais globais aumentam suas reservas de ouro. Em setembro de 2025, o estoque de ouro superou o de títulos da dívida pública americana pela primeira vez desde 1996, totalizando 36 mil toneladas, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE).
Justificativa técnica e contexto global
O Banco Central francês justifica a venda como uma medida técnica para modernizar e padronizar o ouro francês, seguindo recomendações de um relatório interno de 2024. As barras de ouro em Nova York datavam da década de 1920 e não atendiam aos padrões internacionais de pureza e peso.
Ramiro Ferreira, especialista em investimentos e cofundador do Clube do Valor, aponta que a repatriação coincidiu com um período de tensões comerciais e políticas entre a Europa e o governo Trump. “A França diz que foi uma decisão técnica. E, tecnicamente, não está mentindo”, afirmou Ferreira.
Impacto do ouro no mercado financeiro
O ouro é tradicionalmente visto como um investimento seguro, especialmente em tempos de crise. A busca pelo metal aumentou devido a preocupações com a dívida dos Estados Unidos, a independência do Federal Reserve e tensões geopolíticas.
Em janeiro de 2026, o ouro atingiu a cotação recorde de US$ 5.595 por onça (31,1035 gramas). No dia 9 de abril de 2026, a cotação estava em US$ 4,7 mil, uma queda de 16% em relação ao pico.
Uma pesquisa da Reuters indica que 40% dos bancos centrais planejam aumentar ainda mais suas reservas de ouro.
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