Líbano e Israel se reúnem nos EUA em busca de cessar-fogo após escalada de violência
Líbano e Israel devem se reunir em Washington nesta terça-feira (16) para negociações mediadas pelos EUA. O encontro ocorre após escalada de violência e busca um cessar-fogo.
A reunião acontece em um momento crítico, após intensos ataques aéreos israelenses no Líbano e contínuas tensões envolvendo o Hezbollah. O governo libanês, no entanto, tem pouca influência sobre o grupo armado.
O Líbano, mais uma vez, está envolvido em conflitos. Em agosto de 2025, o presidente Joseph Aoun expressou otimismo em relação ao desarmamento do Hezbollah, após uma guerra devastadora com Israel em novembro de 2024. Na época, um frágil cessar-fogo estava em vigor, mas Israel realizava ataques quase diários contra alvos ligados ao grupo.
A força do Hezbollah
Para os apoiadores do Hezbollah, o grupo é a única proteção contra Israel, que eles veem como um inimigo que busca capturar terras libanesas. Os oponentes acusam o Hezbollah de defender os interesses de seu patrono iraniano, arrastando o país para guerras desnecessárias. O Hezbollah é um partido político representado no parlamento e no governo, além de um movimento social que administra serviços em áreas onde o Estado está ausente.
Em fevereiro de 2026, após a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em um ataque durante o bombardeio EUA-Israel a Teerã, o Hezbollah lançou foguetes contra Israel. Israel respondeu com ataques aéreos e outra invasão terrestre do sul do Líbano. O presidente Aoun propôs negociar diretamente com Israel, mas a oferta foi ignorada até a semana passada, após um cessar-fogo EUA-Irã.
Desafios internos e externos
O Hezbollah, criado na década de 1980 durante a ocupação israelense do Líbano, sempre foi financiado, treinado e armado pelo Irã. A destruição de Israel permanece um de seus objetivos. Em 1989, o Acordo de Taif exigiu o desarmamento de todas as milícias, mas o Hezbollah manteve suas armas, justificando-se como um movimento de resistência contra a ocupação israelense.
Desde que chegou ao poder, o presidente Aoun defendeu uma política de “monopólio estatal sobre as armas”. No entanto, Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, rejeitou discutir um desarmamento total discutir um desarmamento total em todo o país. Aoun alertou que a remoção das armas do Hezbollah sem seu consentimento poderia levar à violência.
O Líbano tem uma população de cerca de 5,8 milhões e reconhece oficialmente 18 seitas religiosas. Uma pesquisa da Gallup em dezembro de 2025 indicou que quase quatro em cada cinco libaneses eram a favor de que apenas o exército do país mantivesse armas.
Michael Young, editor do Carnegie Center em Beirute, disse que o exército libanês não desarmou o Hezbollah devido à falta de capacidade. “Você não pode entrar na comunidade xiita e impor isso pela força. Você vai falhar, e isso será um desastre”, afirmou.
Negociações incertas
Young acredita que o Líbano não tem nada a oferecer nas negociações com Israel, pois não pode garantir o desarmamento do Hezbollah. “O governo está sem cartas, e esta é uma realidade que precisamos aceitar”, disse.
Em um discurso televisionado no mês passado, Qassem afirmou que o Hezbollah não respondeu aos ataques de Israel durante o cessar-fogo para não ser acusado de impedir a diplomacia, mas que Israel não cumpriu nenhum termo do acordo. “Nossa paciência tem limites”, disse Qassem, reafirmando que o Hezbollah não debaterá seu armamento com ninguém.
Nicholas Blanford, autor de um livro sobre o Hezbollah, disse que qualquer decisão sobre o futuro do grupo provavelmente será tomada em Teerã, dado o papel do Irã.
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