Trend ‘caso ela diga não’ e a violência contra mulheres
Vídeos que simulam violência contra mulheres viralizaram no TikTok, gerando repercussão internacional no dia 13 de abril. A trend “Caso ela diga não” motivou debates sobre misoginia e a necessidade de leis mais rigorosas.
A prática consiste em criadores de conteúdo simularem reações violentas após rejeição a pedidos de namoro ou casamento. A repercussão ganhou força na imprensa francesa, com matérias em jornais, TVs e rádios, que questionam a falta de punição aos responsáveis pelos vídeos.
Repercussão internacional
O jornal Le Parisien publicou matéria sobre vídeos que promovem violência contra mulheres e viralizaram no TikTok no Brasil. A publicação descreve homens “treinando e esfaqueando bonecos de treino”, conteúdo considerado “cada vez mais violento, descomplexado e acessível”.
O jornal francês também lembrou a tentativa de feminicídio sofrida por Alana Anisio Rosa, de 20 anos, em São Gonçalo (RJ), em fevereiro. A jovem foi atacada com facadas e espancada após recusar investidas de Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, que está preso. A mãe de Alana afirmou que o agressor se inspirou em vídeos do TikTok com homens atacando manequins sob o slogan “treinando caso ela diga não”.
O site do jornal 20 Minutes indicou que muitos desses vídeos tiveram milhares de visualizações. A publicação aponta para o impacto desse tipo de conteúdo no aumento da violência contra as mulheres no Brasil, que registrou 1.586 feminicídios no ano passado.
Casos de violência no Brasil
O canal de TV France 24 relembrou dois casos recentes ocorridos no Brasil. Em janeiro, um dos participantes do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro se entregou à polícia usando uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (não se arrepender de nada), utilizada por influenciadores masculinistas.
Em março, o assassinato da policial Gisele Alves Santana, de 32 anos, também ganhou destaque. O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi acusado do crime. Mensagens trocadas pelo casal revelaram que ele se descrevia como um “macho alfa” e exigia que ela fosse uma “fêmea beta, obediente e submissa”.
Debate sobre misoginia
A jornalista Mathilde Serrell, da rádio France Inter, relacionou a trend “treinando caso ela diga não” com a série “Adolescência”, que aborda um feminicídio cometido por um jovem rejeitado. “No Brasil, a ficção se tornou realidade”, disse Serrell, referindo-se ao caso de Alana Anisio Rosa.
A plataforma francesa Brut deu espaço à mobilização contrária à trend. Nas redes sociais, internautas postam vídeos sobre como reagir quando homens são rejeitados. “Se uma mulher disser não, a melhor resposta possível é respeito”, diz um dos vídeos.
Seguidores do Brut questionam a demora das autoridades em identificar e punir os autores dos vídeos que estimulam agressões. Alguns internautas mencionam o debate sobre o PL da Misoginia no Brasil, que enfrenta resistência no Congresso.
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