Suspeito do ataque de 1982 a restaurante judeu em Paris é extraditado
A Autoridade Palestina extraditou para a França, na quinta-feira (16), o suspeito Hicham Harb, 72 anos, acusado de participar do ataque terrorista ao restaurante Jo Goldenberg, em Paris, que matou seis pessoas em 1982. Harb foi detido ao chegar à base aérea de Villacoublay, nos arredores de Paris, segundo o Ministério Público Antiterrorismo francês (PNAT). A extradição atendeu a um pedido feito pelo PNAT em setembro do ano passado.
O ataque ocorreu na Rue des Rosiers, no histórico bairro judeu do Marais. Homens armados lançaram uma granada no interior do restaurante e depois entraram atirando com metralhadoras contra clientes que tentavam fugir. Em mais de quatro décadas, nenhum responsável foi julgado ou condenado pelo crime.
Quem é Hicham Harb
O nome real do suspeito é Mahmoud Khader Abed Adra. Segundo o PNAT, ele é investigado por ter coordenado o ataque e por ter sido um dos atiradores que abriu fogo contra os frequentadores do restaurante.
O grupo responsável pelo ataque foi identificado como uma facção dissidente palestina fundada por Abu Nidal, militante morto a tiros no Iraque em 2002. A organização rompeu com a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e foi responsabilizada por uma série de atentados que causaram cerca de 900 mortes, principalmente na década de 1980 — incluindo sequestros de aviões, assassinatos políticos e tiroteios em aeroportos e num cruzeiro grego.
Julgamento com seis réus
O Tribunal de Cassação da França, instância judicial máxima do país, determinou no ano anterior o julgamento de seis suspeitos pelo ataque. Três deles estão foragidos e residem na Cisjordânia, na Jordânia e no Kuwait.
Outros dois suspeitos já se encontram em território francês: Abou Zayed, cidadão norueguês investigado como um dos atiradores, e Hazza Taha, suspeito de ter escondido as armas usadas no crime. Os advogados de Abou Zayed negam qualquer envolvimento do cliente no ataque.
Família contesta extradição
O filho de Harb, Bilal al-Adra, declarou que a família considera a extradição ilegal e questiona se o pai terá um julgamento justo na França. Os tribunais parisienses já rejeitaram um pedido para que o processo fosse julgado por júri popular — o caso será analisado por magistrados em uma corte especial.
Reação política
O presidente francês Emmanuel Macron agradeceu à Autoridade Palestina pela cooperação e classificou a extradição como uma “demonstração concreta de cooperação judicial”, associando o ato ao reconhecimento diplomático francês de um estado palestino.
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, que recebeu famílias das vítimas da Rue des Rosiers no ano anterior, reafirmou o compromisso do governo: “Diante do antissemitismo e do terrorismo, a França nunca esquece e nunca desiste.”
A extradição encerra quatro décadas sem qualquer responsabilização pelo massacre, mas o julgamento efetivo — e eventual condenação — ainda depende de um processo judicial cujas datas não foram definidas publicamente.
Com informações do Ministério Público Antiterrorismo da França (PNAT) e do Tribunal de Cassação.
Publicado em: 17/04/2026
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