BRB negocia venda de R$ 15 bi em ativos do Banco Master para reduzir perdas
Operação busca aliviar crise financeira do banco público do Distrito Federal
Pontos-chave
- BRB negocia venda de até R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master para fundo privado.
- Pagamento inicial entre R$ 3 e R$ 4 bilhões em dinheiro; restante em cotas subordinadas vinculadas ao desempenho dos ativos.
- A operação depende da aprovação do Banco Central e visa reorganizar o balanço após perdas bilionárias.
- Governadora Celina Leão nega planos de privatização e atribui crise à má gestão anterior.
- Venda parcial dos ativos indica desconto e mantém riscos financeiros remanescentes para o BRB.
O Banco de Brasília (BRB) anunciou a negociação para vender até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master a um fundo privado, com pagamento inicial entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista e o restante em cotas subordinadas atreladas ao desempenho desses ativos. A operação visa reorganizar o balanço do banco após perdas bilionárias causadas pela exposição ao Master e depende da aprovação do Banco Central.
A crise do Banco Master gerou um rombo estimado entre R$ 8,8 bilhões e R$ 13 bilhões em provisões para o BRB, que acumulava R$ 21,9 bilhões em ativos relacionados ao Master em seu balanço. A venda parcial desses ativos, com valor inferior ao total registrado, indica um desconto relevante e levanta dúvidas sobre riscos remanescentes e o impacto real para o patrimônio público do Distrito Federal.
A governadora Celina Leão defende a operação como uma solução de mercado que não envolve recursos públicos diretos e nega planos de privatização do banco. “Você deve privatizar aquilo que realmente gera prejuízo contínuo ao Estado. O que ocorreu com o BRB foi um fato pontual. É um banco sólido, com mais de 60 anos no DF. Só de imposto, gera R$ 1,7 bilhão”, afirmou. Ela atribui a crise à má gestão do ex-presidente Paulo Henrique e classifica o episódio como pontual.
A governadora também criticou a postura do governo federal, afirmando que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são os únicos bancos que não negociam com o BRB. “A impressão transmitida pelo governo federal é que sua vontade é que o banco do Distrito Federal quebre, independentemente de responsabilidades”, declarou Celina Leão.
Estrutura da operação e riscos para o Distrito Federal
A venda dos ativos será feita em duas etapas: um pagamento inicial em dinheiro entre R$ 3 e R$ 4 bilhões e o restante, cerca de R$ 11 bilhões, por meio de cotas subordinadas que dependem do desempenho dos ativos vendidos. Essa estrutura transfere parte dos riscos para investidores privados, mas também gera incertezas sobre o impacto definitivo para o patrimônio público do Distrito Federal e a solidez do BRB no médio prazo.
O valor negociado equivale a cerca de 68% dos ativos relacionados ao Banco Master no balanço do BRB, indicando que parte da carteira permanecerá sob responsabilidade do banco. Isso pode manter riscos financeiros remanescentes, o que preocupa analistas e opositores da gestão atual.
Contexto político e impacto na economia local
O BRB é um banco público com papel central na economia do Distrito Federal, onde gera R$ 1,7 bilhão em impostos e atua há mais de 60 anos. A crise e a venda dos ativos repercutem diretamente na confiança da população e na saúde financeira da instituição, além de intensificar a disputa política entre os governos local e federal.
A governadora Celina Leão usa a crise para criticar a gestão anterior e a postura do governo federal, que ela acusa de tentar inviabilizar o banco. Por outro lado, opositores alertam para os riscos da operação e questionam a transparência e o impacto real da venda para o contribuinte do Distrito Federal.
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