Bill liderou 200 famílias em ocupação sob tiroteio e viveu 7 anos foragido no Pontal
Pioneiro do MST em SP, Bill deixou legado de assentamentos e conflitos na reforma agrária
Pontos-chave
- Bill liderou 200 famílias em ocupação sob ataque armado em 2004 no Pontal do Paranapanema.
- Foi condenado em 2011 por formação de quadrilha e viveu cerca de 7 anos foragido por mandado de prisão preventiva.
- Deixou legado de assentamentos com mais de 2.000 moradores e projetos cooperativos inovadores.
- Bill presidiu cooperativas que atendem centenas de famílias com produção agrícola e assistência técnica.
- Sua trajetória reflete os conflitos e desafios da reforma agrária na região do Pontal do Paranapanema.
Valmir Rodrigues Chaves, conhecido como Bill, morreu em 20 de abril de 2026. Ele foi um dos pioneiros do MST em São Paulo e liderou em 2004 uma ocupação de 200 famílias em Sandovalina (SP), que sofreu ataque armado de jagunços para impedir a invasão. Bill viveu cerca de sete anos foragido da polícia por mandado de prisão preventiva relacionado à luta pela terra no Pontal do Paranapanema.
A trajetória de Bill começou em Rubim (MG), onde nasceu em 1956 e trabalhou no campo desde criança. Mudou-se em 1983 para o Pontal do Paranapanema, região marcada por conflitos fundiários. Em 1986, liderou a ocupação da Gleba 15 de Novembro, que se tornou o segundo maior assentamento de São Paulo, com mais de 2.000 habitantes. Essa área é referência em organização cooperativa e produção agrícola.
Bill presidiu a Cooperativa Camponesa do Pontal e teve papel central na Coopercampo, que atende mais de 300 famílias com produção leiteira e assistência técnica. Ele implementou projetos inovadores, como a transferência de embriões em gado, para aumentar a produtividade dos pequenos produtores e garantir a permanência no campo.
Em 2011, a Justiça de Presidente Bernardes condenou Bill a três anos de prisão em regime semiaberto por formação de quadrilha, acusado de organizar ocupações em fazendas da região. O MST classifica a condenação como criminalização política, mas detalhes do processo não estão disponíveis para avaliação independente.
O episódio de agosto de 2004, quando jagunços dispararam contra o grupo liderado por Bill, ilustra a tensão violenta entre trabalhadores rurais e proprietários. Apesar do ataque, apenas um trabalhador se feriu ao cair, e o grupo conseguiu escapar. Conflitos armados fazem parte da rotina da luta pela terra no Pontal, mas dados oficiais sobre a violência são escassos.
Legado e controvérsias na luta pela terra
Bill dedicou mais de quatro décadas à reforma agrária, mobilizando milhares de famílias para conquistar e organizar terras no Pontal do Paranapanema. O presidente Lula reconheceu publicamente sua dedicação à causa dos pequenos agricultores. Como último desejo, Bill pediu para ser sepultado no assentamento da Gleba 15, onde viveu com sua família.
Sua liderança consolidou assentamentos que hoje são referência em produção cooperativa, mas sua trajetória também foi marcada por disputas judiciais e perseguições policiais. A experiência de Bill reflete a complexidade da reforma agrária no Brasil, envolvendo conflitos sociais, econômicos e legais que ainda moldam a dinâmica da região.
Faltam informações claras sobre o impacto econômico para os proprietários das terras ocupadas e eventuais acordos judiciais, o que evidencia a necessidade de apuração mais profunda. Além disso, a percepção da comunidade fora do MST sobre as ocupações e o legado de Bill permanece pouco documentada.
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