Hungria: Peter Magyar encerra era Orbán em eleição histórica
– Péter Magyar, do partido Tisza, obteve 138 cadeiras nas eleições húngaras.
– Viktor Orbán, do Fidesz, conquistou 55 cadeiras.
– Magyar prometeu reverter mudanças na educação e saúde, combater a corrupção e restaurar a independência do judiciário.
– Orbán não renunciou e continua como líder do Fidesz.
– A eleição teve comparecimento recorde de 79% dos eleitores.
Péter Magyar, 45, derrotou Viktor Orbán nas eleições da Hungria, encerrando 16 anos de poder do Fidesz. Magyar, ex-integrante do partido, obteve apoio da maioria dos húngaros descontentes com a corrupção.
"Juntos, derrubamos o regime húngaro", declarou Magyar a seus apoiadores em Budapeste, às margens do Rio Danúbio. Resultados preliminares apontam para 138 cadeiras para o Tisza, contra 55 do Fidesz e seis do partido de extrema-direita Nossa Pátria.
Com a maioria constitucional necessária, Magyar pretende reverter reformas implementadas por Orbán, que se aproximou da Rússia de Vladimir Putin nos últimos anos. A vitória de Magyar representa uma mudança significativa na política húngara e nas relações com a União Europeia.
Fim de uma era
Após quatro vitórias consecutivas, o governo de Orbán chegou ao fim. Magyar mobilizou eleitores em cidades e vilarejos, denunciando o clientelismo e a corrupção. No domingo, 12 de abril de 2026, após a apuração de 98% dos votos, Magyar anunciou a vitória.
"Nunca antes na história da Hungria democrática tantas pessoas votaram, e nenhum partido jamais recebeu um mandato tão forte", afirmou Magyar. A participação eleitoral atingiu 79%, um recorde histórico.
Orbán telefonou para Magyar para parabenizá-lo pela vitória, um gesto que surpreendeu muitos. Em seguida, Orbán reconheceu a derrota em um evento com membros do Fidesz. "O resultado da eleição é claro e doloroso", disse Orbán, agradecendo aos 2,5 milhões de húngaros que o apoiaram.
Mudanças prometidas
Magyar prometeu reformar a educação e a saúde, combater a corrupção e restaurar a independência do judiciário. Ele também pretende acabar com o sistema de favorecimento que enriqueceu aliados do governo e desperdiçou recursos estatais. Para realizar essas mudanças, Magyar precisa de uma maioria de dois terços no parlamento, o que parece estar ao seu alcance com as 138 cadeiras conquistadas.
Outro alvo de Magyar é a mídia estatal pró-Orbán, como o canal M1, que sempre seguiu a linha do partido. A M1 chegou a transmitir um discurso de Magyar feito antes da divulgação dos resultados finais(https://piranot.com.br/busca?q=um-discurso-de-Magyar-feito-antes-da-divulgacao-dos-resultados-finais), quando ele ainda estava incerto sobre a vitória.
A política húngara tem sido marcada por divisões. Orbán convenceu seus apoiadores de que estava no caminho certo, enquanto Magyar atraiu grandes multidões com a promessa de mudança. A vitória de Magyar representa um choque para o establishment político húngaro.
Se a maioria de dois terços de Tisza for confirmada, a TV estatal passará por mudanças.
Implicações para a Europa
Magyar comparou sua vitória eleitoral à revolução húngara de 1848 e à revolta contra a ocupação soviética em 1956. Orbán, que já se manifestou contra a ocupação soviética, tornou-se um aliado próximo de Vladimir Putin. Sua defesa do petróleo e da gasolina russos baratos o tornou impopular na União Europeia, que tenta reduzir sua dependência das importações russas. Orbán também descumpriu um acordo da UE para fornecer um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia.
"Russos, vão para casa", gritaram os apoiadores de Magyar, enquanto o novo primeiro-ministro prometia melhores relações com a União Europeia. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, saudou a vitória de Magyar, acrescentando em húngaro "Ruszkik Haza" – Russos, vão para casa. Magyar prometeu que sua primeira viagem ao exterior como primeiro-ministro seria a Varsóvia, para reforçar a amizade de mil anos da Hungria com a Polônia.
O futuro do Fidesz sem Orbán é incerto. Por enquanto, Orbán continua a liderar o Fidesz.
Com informações da BBC.
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