Itaú confirma acordo de R$ 1 bilhão para comprar ativos do BRB, banco envolvido no escandâ-lo do Master
O Itaú Unibanco informou nesta quarta-feira (16), que uma de suas subsidiárias “celebrou instrumento por meio do qual se comprometeu a adquirir” ativos do Banco de Brasília (BRB). A divulgação ocorreu apenas após questionamento formal da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre reportagem citando negociações.
O comunicado veio em resposta a matéria do jornal Correio Braziliense. A reportagem citou o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, afirmando em evento em São Paulo que estaria avaliando a aquisição de ativos do BRB e que Itaú e Bradesco “já negociaram com o BRB R$1 bilhão em carteiras de contratos de empréstimos concedidos pelos estados e municípios com aval da União”.
O Itaú não confirmou valores específicos, mas classificou a transação como “imaterial” segundo seus critérios contábeis internos. O BRB enfrenta deterioração patrimonial desde a aquisição do Banco Master, operação que exigiu provisionamento inicial de R$ 8,8 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões conforme apontou auditoria forense independente.
Confirmação à CVM e sigilo de valores
O banco informou que uma subsidiária “celebrou instrumento” para aquisição dos ativos, sem detalhar montantes, natureza dos contratos ou prazos de transferência. O documento, assinado pelo diretor de Relações com Investidores Gustavo Lopes Rodrigues, limitou-se a afirmar que os valores envolvidos não se qualificam como “fato relevante” pela legislação de valores mobiliários vigente. A CVM havia exigido esclarecimentos formais após as declarações de Esteves revelarem movimentações financeiras não divulgadas oficialmente pelo banco privado.
Crise do Banco Master e provisionamentos divergentes
O BRB incorporou carteiras do Banco Master em operação que resultou em rombo patrimonial. A própria instituição financeira informou que os ativos considerados saudáveis do Master estão avaliados em R$ 21,9 bilhões, embora parte significativa da carteira apresente inadimplência elevada. No dia 10 de abril, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou proposta de R$ 15 bilhões de um fundo de investimentos para aquisição de parte desses ativos. A operação aguarda avaliação técnica e regulatória do Banco Central, sem previsão de conclusão.
O governo do Distrito Federal afirmou que a negociação em curso não utiliza recursos públicos nem compromete o caixa da instituição, buscando preservar interesses do Distrito Federal.
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