Brasil capta 5 bilhões de euros em emissão histórica de títulos
O Tesouro Nacional captou 5 bilhões de euros em uma oferta de títulos públicos realizada no mercado europeu no dia 15 de abril de 2026. A operação marca o retorno do governo brasileiro ao mercado de euros após mais de uma década e representa a maior emissão internacional de dívida soberana da história do país.
A última captação em euros havia ocorrido em 2014, durante o segundo mandato da então presidente Dilma Rousseff. Desde então, o Brasil dependia exclusivamente de emissões em dólares para financiar sua dívida externa. O retorno agora busca diversificação cambial da dívida pública e redução da exposição às oscilações do dólar americano, além de oferecer referência de preço para outros emissores domésticos no mercado europeu.
Estrutura da operação e custos
O governo distribuiu três tranches com vencimentos distintos. O título de 4 anos (EURO 2030) captou 2 bilhões de euros com retorno de 4,240% ao ano. Os papéis de 7 anos (EURO 2033) e 10 anos (EURO 2036) absorveram 1,5 bilhão de euros cada, com taxas de 5,031% e 5,627% ao ano respectivamente.
A coordenação ficou com BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS. O Tesouro destacou que os spreads — diferencial de juros sobre títulos de referência europeus — ficaram abaixo do inicialmente previsto, indicando confiança dos investidores na capacidade de pagamento do Brasil.
Demanda e perfil dos investidores
A procura alcançou três vezes o volume ofertado. Cerca de 69% das aplicações vieram de investidores europeus, 9% da Ásia e 13% da América Latina, incluindo participação brasileira. O restante distribuiu-se pela América do Norte.
“Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira”, afirmou o Tesouro Nacional em nota oficial divulgada em 15 de abril.
Impacto cambial e novos mercados
A emissão reduz a dependência do governo de financiamentos exclusivamente em dólares, protegendo a dívida externa contra variações cambiais concentradas em uma única moeda. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comemorou a captação durante entrevista a jornalistas em Washington.
“Conseguimos uma captação histórica. Voltamos agora ao mercado europeu com grande sucesso e vamos prospectar novos mercados ainda até o fim do ano”, disse Durigan.
O Tesouro havia iniciado conversas com investidores no dia 14 de abril, buscando consolidar a presença brasileira em praças financeiras alternativas aos Estados Unidos. A operação também abre espaço para empresas brasileiras realizarem captações em euros com benchmark soberano estabelecido.
Com informações de Tesouro Nacional e Ministério da Fazenda.
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