China vê queda de 18% em vendas internas de elétricos e aposta em exportação
Indústria chinesa amplia vendas externas para compensar crise no mercado doméstico
Pontos-chave
- Vendas internas de veículos elétricos na China caíram 18% no 1º trimestre de 2026.
- Exportações chinesas de veículos cresceram quase 20% em 2025, chegando a 5,8 milhões.
- Montadoras chinesas enfrentam tarifas de até 35,3% na UE e cerca de 100% nos EUA.
As vendas internas de veículos elétricos na China caíram 18% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da indústria automotiva chinesa e reportagens da Folha de S.Paulo. Para compensar essa retração, a China exportou 5,8 milhões de veículos em 2025, um aumento de quase 20% em relação a 2024, conforme informações da Reuters e da Folha de S.Paulo.
A retração no mercado doméstico é atribuída a uma prolongada guerra de preços e excesso de oferta, agravada pelo fim dos subsídios governamentais que sustentavam o setor, segundo reportagem da Reuters e análise da Folha de S.Paulo. Essa crise interna levou dezenas de fabricantes chineses de veículos elétricos a risco de falência, conforme reportagem da Quatro Rodas.
Para enfrentar esse cenário, montadoras chinesas, como a Aito, ligada à Huawei, planejam mais que dobrar suas vendas anuais para 1 milhão de veículos até 2030, com a expectativa de que as exportações representem 20% do volume total em três anos, contra menos de 1% atualmente, afirmou John Zhang, presidente da Aito, em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo.
Apesar do avanço nas exportações, as montadoras chinesas enfrentam barreiras comerciais significativas. A União Europeia impõe tarifas de até 35,3% sobre veículos elétricos chineses, enquanto os Estados Unidos aplicam tarifas próximas a 100% e restrições políticas para veículos fabricados na China e em países vizinhos, segundo dados da Reuters e da Folha de S.Paulo.
A indústria chinesa busca superar essas dificuldades com investimentos em tecnologia de ponta, incluindo robotáxis e carros voadores, para diferenciar seus produtos no mercado global, conforme reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo o secretário-geral da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores, Francois Roudier, “a China não é um país emergente no setor automotivo. É um país de ponta, de alto nível”.
Impactos e oportunidades para cadeias produtivas globais
O impulso exportador da China tem potencial para alterar cadeias produtivas globais, especialmente em regiões com forte presença no setor automotivo. Segundo análise da Folha de S.Paulo, fornecedores brasileiros, especialmente em polos como Piracicaba, podem ser pressionados a se adaptar para competir ou integrar-se às cadeias globais de suprimentos de veículos elétricos.
A crise interna na China também pode abrir espaço para fornecedores brasileiros que atuam em nichos tecnológicos ou de qualidade, aproveitando a demanda por inovação e diferenciação no mercado global, conforme especialistas consultados pela Folha de S.Paulo.
Relações comerciais e negociações internacionais
Apesar das tensões comerciais, a relação econômica entre Estados Unidos e China permanece estável, com negociações previstas entre Donald Trump e Xi Jinping para manter o equilíbrio, segundo declaração do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, à Folha de S.Paulo.
No âmbito europeu, acordos recentes indicam uma possível redução gradual das tarifas sobre veículos elétricos chineses, o que pode facilitar a expansão das exportações chinesas para o continente, conforme reportagens da Reuters e da Folha de S.Paulo.
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