
A indefinição quanto aos rumos da política e da economia nacional está afetando os resultados da indústria de máquinas na região de Piracicaba, Campinas e Limeira. As empresas da região até recebem pedidos de orçamento, mas a falta de perspectiva paralisa grande parte dos investimentos em máquinas e equipamentos.
A avaliação resulta dos números apresentados nesta quarta-feira, 29 de junho, pela ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), em entrevista coletiva realizada em São Paulo e acompanhada na sede regional de Piracicaba. Os números são do período janeiro-maio.
O consumo aparente no período janeiro-maio de 2016 apresenta estabilidade, mas num nível muito inferior ao dos anos anteriores. Se em maio último houve crescimento de 1,4% ante ao mês anterior, na comparação com 2015 os dados da ABIMAQ revelam forte queda tanto diante do mesmo mês – recuo de 32,2% – quanto sobre os cinco meses iniciais do ano – redução de 32,1%.
As altas taxas de ociosidade observadas na indústria de transformação colocam como incerta a retomada dos investimentos em curto prazo. As vendas para o mercado interno acumulam queda em 2016 de 48,6%, quando comparados os cinco meses iniciais desse ano ante igual período de 2015.
Mário Bernardini, diretor de competitividade da ABIMAQ, criticou a adoção do real valorizado e das altas taxas de juros pelo Banco Central. O empresário brasileiro deixou de comprar não apenas do produtor nacional, mas também no exterior – a queda na importação de máquinas é de 30,4%, comparado janeiro a maio de 2016 e 2015.
“Estamos com vendas perto de 40% menores do que tivemos no ano passado”, disse José Antônio Basso, diretor da ABIMAQ na região de Piracicaba, Limeira e Campinas. “A crise também é de confiança, pois não temos perspectiva de melhoria”.
A indefinição do cenário político afeta os negócios internos. Setores representativos na região, como de máquinas para infraestrutura, agricultura e construção, aguardam a retomada das obras e dos programas governamentais de incentivos.
A exportação apresenta resultados melhores, mas esse cenário tende a desaparecer com o dólar mais barato. “A perspectiva é ruim”, disse Bernardini. A estimativa é que, pelo quarto ano consecutivo, a indústria de bens de capital mecânico recue. Esse ano, a queda deve ser entre 10 e 15%, estima Bernardini.
O número de pessoas ocupadas na indústria de máquinas tem sucessivos recuos, embora hoje viva momentos de estabilidade. Atualmente, são 308.720 trabalhadores. Há um ano, o segmento empregava perto de 343 mil.
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NOTA – Na tarde de ontem (01), a Abimaq divulgou uma nota reforçando a sua posição quanto a politica econômica adotada pelo atual governo de Michel Temer (PMDB). Leia na integra:
Após 15 anos de real fortemente apreciado, que reduziu a indústria de transformação para menos da metade neste período, a equipe econômica do Governo Temer volta a utilizar a velha política de juros altos e câmbio baixo, que já quebrou o país em 1999, e que é uma das grandes responsáveis pela atual crise econômica.
Os débeis sinais de recuperação de alguns setores industriais resultantes do curto intervalo de tempo no qual o câmbio esteve relativamente competitivo, que também quase eliminou o déficit em conta corrente, estão ameaçados de serem abortados.
Entendemos que uma taxa de câmbio abaixo de R$/US$ 3,8 coloca em risco este início de recuperação, desestimula o setor produtivo a brigar no mercado externo e elimina o único drive disponível no curto e médio prazo para voltarmos a crescer.