quarta-feira, março 11

Nos últimos dias, a atriz Antônia Fontenelle causou repercussão ao sugerir que o SBT estaria enfrentando dificuldades financeiras. Sem entrar em detalhes, a artista cobrou publicamente responsabilidade das herdeiras de Silvio Santos, levantando um debate nas redes sociais. À época, a fala foi vista como enigmática. Mas, ao observar as recentes mudanças na programação da emissora, percebe-se que o alerta de Fontenelle pode ter sido mais certeiro do que se imaginava.

A programação atual do SBT evidencia uma mudança drástica de estratégia: o abandono quase total de seriados clássicos, que por anos foram marca registrada da grade da emissora, sobretudo nas faixas do meio-dia e fim da tarde. Produções de estúdios como Warner Bros., Disney e Universal — antes onipresentes — desapareceram silenciosamente da tela.

Segundo estimativas de mercado, o SBT chegou a investir mais de R$ 30 milhões em contratos com esses grandes estúdios para adquirir os direitos de exibição de séries e filmes. No entanto, a atual grade indica que esse modelo foi drasticamente revisto. Produções queridas do público como Arnold, Eu, a Patroa e as Crianças, As Visões da Raven, Cory na Casa Branca e Sobrenatural foram substituídas por programas jornalísticos com foco policial e opinativo.

Essa nova lógica é clara: investir menos, gerar mais conteúdo com uma mesma estrutura, e esticar o tempo de tela com debates, interação e reprises de reportagens. Os noticiários de viés informal e com tom popular passaram a ocupar faixas antes destinadas ao entretenimento internacional.

Outro exemplo emblemático é a situação de Chaves. Antes exibido livremente por conta de um acordo antigo com a Televisa, o programa agora é pago por exibição — com valores estimados em R$ 45 mil por episódio. A emissora, ciente do impacto popular do seriado, ainda o mantém no ar, mas de maneira mais estratégica: apenas em horários de maior visibilidade e, preferencialmente, com transmissão em rede nacional, para justificar o investimento.

A troca dos pacotes milionários por jornalismo popular é lida por especialistas como uma manobra de contenção de despesas. Apesar de o modelo ter garantido fôlego em curto prazo, ele compromete o legado histórico da emissora, que sempre conciliou atrações populares com variedade na grade.

O SBT, que já foi referência em variedade e sucesso de atrações infantojuvenis e de séries internacionais, hoje parece se concentrar em um único tipo de conteúdo — o policialesco. Ainda que esse tipo de conteúdo esteja em alta na televisão aberta, a padronização da grade pode alienar públicos diversos, como o infantil, o juvenil e os fãs de seriados clássicos.

Nesse contexto, a cobrança feita por Antônia Fontenelle passa a ganhar novo peso. Ao questionar publicamente a gestão das herdeiras de Silvio Santos, a atriz acendeu um alerta que a própria grade da emissora agora confirma. A reestruturação, que nos bastidores é chamada de “enxugamento de custo”, pode ser um reflexo da tentativa do SBT de equilibrar as contas, num cenário em que as receitas publicitárias tradicionais estão mais escassas e as plataformas de streaming dominam a audiência jovem.

Não se trata apenas de uma mudança estética, mas de um reposicionamento que pode redefinir o papel do SBT na televisão brasileira nos próximos anos. Resta saber se o público aceitará essa nova fase e se a emissora conseguirá sustentar esse modelo com relevância e faturamento.

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Redação - PIRANOT

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