sábado, março 21
PUBLICIDADE

Vídeos de trabalhadores registrando o dia da demissão viralizam no TikTok e acumulam milhões de visualizações na plataforma. O fenômeno, chamado de "vlog de demissão", abre portas para novos empregos, mas especialistas alertam para riscos à reputação profissional e até consequências jurídicas.

Victoria Macedo, de 28 anos, foi uma das primeiras a registrar o momento. Após ser desligada da Natura em uma reestruturação, publicou um vídeo que alcançou mais de 1,5 milhão de visualizações. O conteúdo impulsionou seu perfil como criadora de conteúdo e gerou convites para entrevistas, mesmo antes de atualizar o currículo. Thaís Borges, de 26 anos, conhecida como Thaís do Millenium, também viralizou ao registrar sua demissão após mais de uma década como CLT — o vídeo acumula meio milhão de visualizações.

O que explica o fenômeno

A pesquisadora Issaaf Karhawi, da Universidade de São Paulo (USP), atribui o movimento ao "borrão" entre vida privada e esfera pública nas redes sociais. Segundo ela, o TikTok se consolidou como espaço para conteúdos mais autênticos, que fogem da estética perfeita de outras plataformas. "Esses vídeos mostram algo que normalmente não aparece nas redes: o momento difícil", afirmou. O fenômeno não é novo — vídeos de demissão já circularam com força em 2024, durante os layoffs em massa na indústria de tecnologia.

Riscos profissionais e jurídicos

Apesar do potencial de engajamento, especialistas alertam para consequências. Raquel Nunes, líder de RH na HUG, explica que recrutadores acompanham redes sociais com frequência. "A demissão em si não é o problema. O ponto-chave é como ela é exposta", disse. Conteúdos que revelam conflitos, críticas diretas ou detalhes internos tendem a gerar alerta entre recrutadores. Já publicações estruturadas, que destacam aprendizados, podem fortalecer a imagem profissional.

O risco vai além da reputação. A advogada trabalhista Isabel Cristina, do escritório Ferraz dos Passos, afirma que a liberdade de expressão do trabalhador não é absoluta quando envolve a imagem do empregador. Gravações dentro da empresa podem caracterizar violação de confidencialidade e descumprimento de regras de compliance. Em casos extremos, a empresa pode reverter uma dispensa comum em demissão por justa causa ou pedir indenização por danos morais.

Com informações de G1.

Share.

Comments are closed.

Sair da versão mobile