Delegada de Piracicaba homenageia árbitra alvo de misoginia no futebol
A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Piracicaba, Olivia Fonseca, realizou na última quarta-feira (8) a entrega de uma “pulseira da amizade” à árbitra Daiane Muniz, após a partida entre XV de Piracicaba e Ituano, no Estádio Barão da Serra Negra. A profissional foi responsável pela arbitragem do confronto pela série A2 do Campeonato Paulista.
“Foi a primeira vez que fui ao estádio para assistir a uma partida e aproveitei a oportunidade para conhecer a Daiane”, conta a delegada. A iniciativa ocorre semanas após Daiane ter sido alvo de um comentário misógino feito pelo jogador Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino — episódio que ganhou projeção nacional e reacendeu o debate sobre o machismo no futebol brasileiro.
O gesto da delegada simboliza apoio à árbitra e reforça a importância do enfrentamento à violência de gênero, inclusive em ambientes esportivos. A ação faz parte de um trabalho desenvolvido por Olivia Fonseca desde novembro do ano passado. Ao longo desse período, mais de 200 pulseiras já foram distribuídas por ela como forma de promover conscientização e acolhimento às mulheres. “A ideia da pulseira é justamente criar uma rede de apoio, mostrar que nenhuma mulher está sozinha e que existem caminhos para buscar ajuda”, destacou a delegada.
Segundo Olivia, a proposta é utilizar um símbolo simples para fortalecer redes de apoio, estimular a empatia e incentivar a denúncia de situações de violência e discriminação. A escolha de entregar a pulseira à árbitra em um contexto esportivo também amplia a visibilidade da causa. “A gente precisa ocupar todos os espaços, inclusive o esporte, para reforçar que o respeito às mulheres é inegociável”, completou.
A presença de Daiane Muniz à frente da arbitragem, após o episódio de repercussão nacional, foi interpretada como um sinal de firmeza e continuidade profissional diante de manifestações de desrespeito. A iniciativa reforça a importância de ações institucionais e simbólicas no combate à violência contra a mulher, evidenciando que o enfrentamento ao machismo deve alcançar todos os espaços da sociedade — inclusive o esporte.
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