O Shopping Piracicaba muda de mãos. Rodrigo Matouk, economista formado pela FGV com 15 anos no setor de shoppings, assume a superintendência do maior centro comercial da região com uma tese clara: shopping que só vende está ficando para trás. Em entrevista exclusiva ao PiraNOT — a primeira desde o anúncio —, ele apresenta os primeiros números da gestão, confirma a chegada de novas marcas e revela o plano para transformar o empreendimento em polo de experiências, serviços e protagonismo regional.
A troca de comando chega num momento duro. Selic a 14,25%, crédito apertado, consumidor cauteloso. No Brasil inteiro, shoppings que dependem só de loja e preço perdem terreno. Os que investem em experiência e em motivos para o consumidor ir — e ficar — crescem.

O caixa está batendo?
O teste mais básico de qualquer shopping é direto: o fluxo gera venda ou só movimento?
A Selic está em 14,25%, o crédito encolheu. As vendas do Shopping Piracicaba estão caindo?
Rodrigo Matouk — “É inegável que estamos num cenário desafiador que afeta o crédito e a cesta de consumo das famílias. Mas, mesmo nesse cenário, estamos com crescimento de vendas, impulsionado pelas operações inauguradas nos últimos meses. Estamos com o fluxo parecido com o do ano anterior e uma tendência de crescimento após as últimas inaugurações, incluindo a reinauguração da academia.”
“Mesmo num cenário desafiador que afeta o crédito e a cesta de consumo das famílias, estamos com crescimento de vendas.”
Rodrigo Matouk
O crescimento que ele cita vem das lojas novas — não de aumento orgânico das operações existentes. É aposta no mix, não recuperação generalizada.
Quais marcas vêm aí
No varejo, quem entra no shopping diz mais sobre o futuro do empreendimento do que quem já está lá.
Quais marcas de peso vão abrir nos próximos meses? Pode citar nomes?
Rodrigo Matouk — “Tivemos diversas inaugurações ao longo do último trimestre de 2025 e no início desse ano, e teremos mais algumas nos próximos meses, como a Adidas. Além disso, estamos com boas negociações em andamento. Acreditamos que iremos oferecer muitas novidades para os consumidores até o final do ano.”
A Adidas é o nome confirmado. As demais ficam no genérico “boas negociações”. O mercado vai cobrar entregas concretas até o fim do ano.
Segurança e acesso: o que mudou
Shopping lotado sem infraestrutura vira problema, não conquista. Piracicaba registrou alta nos indicadores de criminalidade nos últimos meses — e a pergunta sobre segurança é inevitável.
Piracicaba tem registrado alta nos índices de furto e roubo. O que mudou na segurança do shopping?
Rodrigo Matouk — “O modelo de atuação na área da segurança é sigiloso e segue um padrão rigoroso de excelência, envolvendo a eficiência da nossa atuação e das forças de segurança que nos apoiam. Estamos falando de um shopping equipado com monitoramento e integrado às instituições públicas. Queremos focar na melhoria do ativo já existente: fizemos a troca do piso e a duplicação da faixa de acesso pela rampa da Limeira.”
A resposta sobre segurança é institucional, como costuma ser no setor. O dado concreto está na infraestrutura: novo piso e rampa de acesso duplicada pela Avenida Limeira. São obras que afetam diretamente quem chega ao shopping de carro.
Quase quatro décadas de história
Inaugurado em 1987, o Shopping Piracicaba acompanhou as transformações da cidade e se consolidou como principal polo de consumo da região. Clique nas imagens para ampliar.
Além do varejo: a aposta regional
A mudança mais reveladora no discurso de Matouk não está nas lojas ou nas obras. Está na definição do que o shopping quer ser.
O shopping é um centro de compras ou quer ser outra coisa? Qual é a missão?
Rodrigo Matouk — “Nossa missão é ser uma plataforma de conexões e experiências. Nossa área de abrangência engloba 1,5 milhão de habitantes e a ideia é impulsionar o shopping como um centro de convivência que conecta ideias a consumidores. Queremos ser uma plataforma que impulsiona instituições e projetos relevantes. Uma região forte significa um varejo forte.”
“Uma região forte significa um varejo forte.”
Rodrigo Matouk
O número que sustenta a ambição: 1,5 milhão de pessoas na área de influência. É gente de Piracicaba, Limeira, Rio Claro, São Pedro, Charqueada e dezenas de cidades menores. Se o shopping conseguir funcionar como polo regional — e não só como destino de compras —, o impacto econômico muda de patamar.
Análise do editor
A primeira entrevista de Rodrigo Matouk é um manifesto de gestão. O shopping que ele descreve não é o velho centro comercial ancorado na compra por impulso. É um espaço que quer combinar consumo, experiência e protagonismo regional.
O discurso é ambicioso. A execução dirá se é real. Os próximos meses vão mostrar se as marcas prometidas chegam, se o fluxo cresce de fato e se a ideia de “plataforma de conexões” funciona fora do PowerPoint.
A direção está clara. Os resultados, ainda não.



