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domingo, abril 12
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Entrevista

Rodrigo Matouk: “Uma região forte significa um varejo forte”

O superintendente do Shopping Piracicaba conversa sobre resiliência em cenário de crédito restrito, renovação do ativo e o papel estratégico do shopping para uma região de 1,5 milhão de habitantes.

Por Andrey Moral · Edição: Júnior Cardoso · · 8 min de leitura
Rodrigo Matouk
Entrevistado

Rodrigo Matouk

Superintendente · Shopping Piracicaba

Formado em Economia pela FGV e com MBA em Gestão Empresarial, Rodrigo Matouk traz mais de 15 anos de experiência no setor de shopping centers, com passagens pelo Norte Shopping (RJ) e Franca Shopping. Agora superintendente do Shopping Piracicaba, sua missão é transformar o empreendimento em catalisador econômico para os 1,5 milhão de habitantes da região.

O varejo físico passa por constantes transformações, exigindo dos grandes centros de compras uma adaptação rápida para continuar atraindo o público. Em Piracicaba, um dos principais polos econômicos do interior paulista, o desafio de liderar essa evolução no principal shopping da cidade agora está nas mãos de Rodrigo Matouk.

Recém-chegado ao cargo de superintendente do Shopping Piracicaba, Matouk conversou com exclusividade com o PiraNOT sobre o atual cenário econômico, a chegada de novas marcas e a importância do empreendimento para a comunidade local. Formado em Economia pela FGV e com MBA em Gestão Empresarial, ele traz mais de 15 anos de experiência no setor, com passagens pelo Norte Shopping (RJ) e Franca Shopping. Sua missão agora é clara: transformar o Shopping Piracicaba em um verdadeiro centro de convivência e plataforma de negócios para uma região que abrange 1,5 milhão de habitantes.

Como tem sido o movimento de consumidores no shopping neste ano? Houve crescimento ou queda em relação a 2025?

Rodrigo Matouk — Estamos com o fluxo parecido com o do ano anterior e uma tendência de crescimento após as últimas inaugurações que tivemos, incluindo a reinauguração da academia prevista para os próximos dias. Além disso, estamos num ano de muitos feriados, o que ajuda no fluxo, atraindo consumidores dos municípios próximos a Piracicaba.

“Estamos com uma tendência de crescimento após as últimas inaugurações, atraindo consumidores dos municípios próximos.”

O Shopping Piracicaba nasceu em 1987. Hoje, 30 cidades dependem dele. Setecentas mil pessoas por mês. Enquanto o varejo nacional registra a pior retração desde a pandemia — 1,5% em janeiro, segundo o Índice Cielo —, a frequência aqui segue estável. A Selic em 15% não ajuda. Mas o shopping resiste.

O cenário econômico atual tem impactado as vendas das lojas?

Rodrigo Matouk — É inegável que estamos num cenário desafiador que afeta o crédito e a cesta de consumo das famílias. Mas, mesmo nesse cenário, estamos com crescimento de vendas, impulsionado pelas operações inauguradas nos últimos meses.

“Mesmo num cenário desafiador que afeta o crédito e a cesta de consumo das famílias, estamos com crescimento de vendas.”

O Brasil freou. O varejo cresceu apenas 1,6% em 2025, metade do ano anterior. Os shoppings, não: R$ 201 bilhões em faturamento, recorde da Abrasce. A ALLOS, operadora do empreendimento, lucrou 62% a mais no último trimestre. Matouk aposta em marcas novas para manter a máquina girando.

Existem novas marcas ou operações previstas para inaugurar no shopping em breve?

Rodrigo Matouk — Tivemos diversas inaugurações ao longo do último trimestre de 2025 e no início desse ano, e teremos mais algumas nos próximos meses, como a Adidas. Além disso, estamos com boas negociações em andamento. Acreditamos que iremos oferecer muitas novidades para os consumidores até o final do ano.

“Iremos oferecer muitas novidades para os consumidores até o final do ano.”

[INSERIR IMAGEM AQUI — Foto: Divulgação]

Trinta lojas novas em 2024. Ikesaki, Mormaii — primeira da marca na região —, Aramis, QÓculos. São 280 operações ativas, em contraste com shoppings menores que enfrentam vacância crescente. A estratégia é óbvia: renovar o mix antes que a crise chegue.

Houve reforço no número de seguranças ou no sistema de monitoramento do shopping nos últimos meses? Como funciona a integração da segurança com a Polícia Militar e a Guarda Civil?

Rodrigo Matouk — O modelo de atuação na área da segurança é sigiloso e segue um padrão rigoroso de excelência, envolvendo a eficiência da atuação do shopping e das forças de segurança que nos apoiam. Com certeza, estamos falando de um shopping equipado com monitoramento e integrado às instituições de segurança pública.

“Estamos com um shopping equipado com monitoramento e integrado às instituições de segurança pública.”

Três mil empregos diretos. Milhões de visitas por ano. A operação de segurança existe, mas não se anuncia — é parte do serviço, não marketing. O que importa é o resultado: a casa funciona, e Matouk sabe que funcionar em silêncio é melhor que prometer em voz alta.

O shopping possui projetos de expansão ou modernização previstos para os próximos anos? Quais melhorias foram feitas recentemente para elevar a experiência dos visitantes?

Rodrigo Matouk — Para o curto prazo não temos projetos de expansão. Queremos focar na melhoria do ativo já existente: fizemos a troca do piso recentemente e a duplicação da faixa de acesso pela rampa da Limeira, por exemplo. Vamos focar muito nessas melhorias estruturais e, principalmente, nas ações de marketing com eventos e promoções através do nosso programa de benefícios. Acreditamos que dessa forma vamos melhorar a experiência do consumidor.

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“Queremos focar na melhoria do ativo já existente com eventos e promoções que melhoram a experiência do consumidor.”

Sem expansão física. A ALLOS, controladora, cortou investimentos para R$ 350-450 milhões em 2026, focando em reconfigurações de espaço. Em Piracicaba, isso significa novo piso, rampa duplicada, calendário de eventos. A experiência física é a aposta contra o e-commerce.

O shopping pretende ampliar a programação de eventos culturais, shows ou atividades para as famílias? Qual a importância dessas ações para movimentar o comércio?

Rodrigo Matouk — Nossa intenção é fazer mais eventos e trazer ativações mais atraentes para toda a comunidade. Se possível, em parceria com outras instituições da região, criando conexões relevantes e duradouros.

“Nossa intenção é fazer mais eventos e trazer ativações mais atraentes em parceria com instituições da região.”

Piracicaba abriga a Esalq/USP, a FOP/Unicamp, o Parque Tecnológico, o PiN Innovation Hub. É a 34ª economia municipal do Brasil, com PIB acima de R$ 11 bilhões e presença da Hyundai. A “Florença Brasileira” deixou de ser apenas metáfora cultural: hoje é polo de inovação real. O shopping quer estar nesse circuito.

Como você avalia o papel do shopping no desenvolvimento econômico de Piracicaba?

Rodrigo Matouk — Nossa missão é ser uma plataforma de conexões e experiências para toda a região. Nossa área de abrangência engloba 1,5 milhão de habitantes e a ideia é impulsionar o shopping como um centro de convivência que conecta ideias a consumidores. Quando digo ideias, é porque queremos oferecer mais do que produtos; queremos ser uma plataforma que impulsiona instituições e projetos relevantes para toda a região. Uma região forte significa um varejo forte e, com isso, toda a cadeia econômica se beneficia. O Shopping está de portas abertas para novas ideias e novos negócios. Se a gente conseguir impulsionar nossos parceiros e novas ideias, estaremos contribuindo para o desenvolvimento regional.

“Queremos ser uma plataforma que impulsiona instituições e projetos relevantes. Uma região forte significa um varejo forte.”

[INSERIR IMAGEM AQUI — Foto: Divulgação]

658 shoppings no Brasil. Quase meio bilhão de visitantes mensais. O Shopping Piracicaba compete não com o vizinho, mas com a irrelevância. A questão que Matouk precisa responder: por que 1,5 milhão de pessoas da região deveriam escolher este centro em vez de qualquer outro — ou de ficar em casa?

Que mensagem final você deixa para os consumidores e moradores da cidade?

Rodrigo Matouk — Minha mensagem é de alegria por estar chegando a uma região tão importante do Brasil. Sou recém-chegado na cidade e estou muito feliz com a forma como estou sendo recebido e com o trabalho que podemos desenvolver. Teremos muitas novidades nos próximos meses e esperamos, sempre ouvindo o consumidor e as instituições locais, trazer cada vez mais inovações e motivos para a população nos visitar.

“Estou muito feliz com a forma como estou sendo recebido e com o trabalho que podemos desenvolver.”

Recém-chegado, Matouk fala em ouvir antes de mandar. É estratégia inteligente: quem conhece Piracicaba sabe que a cidade não se dobra a discursos corporativos. O shopping precisa ser relevante, não apenas presente. A reinvenção começa com humildade — uma qualidade rara em quem acaba de ganhar o escritório da esquina.

Análise do editor: Júnior Cardoso

No final das contas, o desafio que se apresenta a Rodrigo Matouk é o microcosmo de uma encruzilhada global. Ele assume o leme do Shopping Piracicaba em um momento em que o modelo tradicional de varejo físico trava uma árdua batalha internacional por sobrevivência e relevância. A estratégia que vemos aqui deixa de ser a simples transação comercial para focar na conexão humana.

Transformar um polo de compras em um verdadeiro “hub” de convivência e desenvolvimento para 1,5 milhão de habitantes é uma manobra ambiciosa, especialmente diante dos duros ventos contrários da economia atual. Se essa reinvenção será suficiente para blindar e ditar o futuro do consumo no interior paulista, a resposta virá das ruas nos próximos meses. Mas uma coisa é certa: a era do shopping center apenas como uma grande vitrine terminou definitivamente.

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