Musk ignora convocação da Justiça francesa sobre crimes digitais no X
Elon Musk e diretoria do X faltam a depoimento sobre IA e crimes digitais na França
Pontos-chave
- Musk e executivos do X faltam à oitiva da Justiça francesa
- Investigação apura crimes digitais e uso da IA Grok no X
- Cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram geradas em 11 dias
- A investigação francesa integra reação internacional contra o X
Elon Musk não compareceu à oitiva voluntária convocada pela Justiça francesa nesta segunda-feira (20), em Paris, no âmbito de uma investigação contra sua rede social X. A ausência foi registrada pela promotoria de Paris, que informou que o processo segue normalmente, sem impedimento para a continuidade das investigações.
O inquérito, iniciado em janeiro de 2025, começou após buscas nos escritórios do X e apura alegações de que o algoritmo da plataforma teria sido usado para interferir na política francesa. Posteriormente, o escopo se ampliou para investigar supostos crimes como a divulgação de pornografia infantil e o uso do Grok, assistente de IA do X, para gerar e divulgar conteúdos negacionistas e imagens falsas de caráter sexual.
Cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas foram geradas na plataforma em apenas 11 dias, segundo a apuração das autoridades francesas. O Grok foi utilizado sem filtros para sexualizar imagens de mulheres e crianças por meio de instruções escritas simples.
A ex-diretora-geral do X, Linda Yaccarino, também foi convocada para depoimento voluntário, mas não compareceu. Outros funcionários da empresa foram chamados na condição de testemunhas. O Ministério Público francês ressaltou que não pode obrigar os principais executivos a comparecer por força policial.
A plataforma X nega qualquer irregularidade e classificou a ação judicial como ‘abusiva’. Semanas antes da audiência, Musk usou o próprio X para insultar autoridades francesas, reforçando a tensão entre o empresário e o governo de Emmanuel Macron.
A investigação francesa integra uma reação internacional mais ampla contra o Grok e o X, incluindo ações da União Europeia, por violação das normas de segurança digital e proteção de menores. O caso reacende debates sobre responsabilidade das plataformas e limites para IA generativa, especialmente em redes sociais de alcance global.
A ausência de Musk e Yaccarino no depoimento voluntário não suspende o processo, mas dificulta o esclarecimento das práticas internas do X e do Grok. O Ministério Público francês segue coletando depoimentos de funcionários e analisando dados da plataforma para determinar responsabilidades e possíveis sanções.
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