Karex pode elevar preços de preservativos em até 30% por guerra no Irã
Conflito no Golfo Pérsico pressiona custos e ameaça acesso a camisinhas no Brasil
Pontos-chave
- Karex pode aumentar preços dos preservativos em até 30% devido à guerra no Irã.
- Conflito no estreito de Hormuz interrompe o tráfego e afeta fornecimento de matérias-primas essenciais.
- Demanda global por preservativos cresceu cerca de 30% em 2026, pressionando a oferta.
- Aumento dos custos pode comprometer programas públicos de saúde no Brasil, incluindo distribuição gratuita.
- Especialistas recomendam diversificação de fornecedores para reduzir vulnerabilidade a crises internacionais.
A Karex, maior produtora mundial de preservativos, anunciou que poderá aumentar os preços em até 30% caso a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã continue a afetar o fornecimento de matérias-primas essenciais. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro de 2026, interrompeu o tráfego no estreito de Hormuz, rota estratégica para petróleo e derivados usados na fabricação dos preservativos.
A Karex produz mais de 5 bilhões de preservativos por ano, abastecendo marcas globais como Durex e Trojan, além de sistemas públicos de saúde, incluindo o brasileiro via marca Prudence. O CEO Goh Miah Kiat relaciona a guerra ao aumento dos custos de produção e transporte, que pressionam a cadeia global de suprimentos.
O bloqueio do estreito de Hormuz compromete cerca de 20% do petróleo bruto e gás natural liquefeito mundial, além de impactar um terço das matérias-primas para medicamentos e fertilizantes, segundo a ONU. A escassez e os atrasos no transporte elevam os custos logísticos, agravando a situação da indústria de preservativos.
Além do aumento dos preços, a demanda global por preservativos cresceu cerca de 30% em 2026, segundo a Karex. O CEO destacou que, em tempos de crise, a necessidade de proteção aumenta, pois a incerteza econômica leva as pessoas a adiar ter filhos.
No Brasil, o reajuste pode afetar programas públicos de saúde que distribuem preservativos gratuitamente, comprometendo a prevenção de DSTs e o planejamento familiar. Em Piracicaba e outras regiões, a elevação dos custos pode restringir o acesso em unidades básicas de saúde e organizações sociais, o que pode aumentar o risco de descontinuidade na oferta.
Impacto global e local da crise no Golfo Pérsico
O estreito de Hormuz é uma rota vital para o transporte de petróleo e produtos petroquímicos essenciais para a fabricação de preservativos, que dependem de derivados do petróleo como amônia e lubrificantes à base de silicone. O conflito iniciado em fevereiro interrompeu o tráfego, elevando os preços globais de energia e insumos.
O aumento médio de 24% nas passagens aéreas em classe econômica em 2026, também relacionado à guerra, reflete o impacto nos custos de transporte e logística. A indústria farmacêutica e de fertilizantes enfrenta desafios semelhantes, evidenciando a vulnerabilidade das cadeias globais a choques geopolíticos.
Desafios para a saúde pública e alternativas possíveis
A dependência da produção da Karex torna o Brasil suscetível a reajustes que podem comprometer programas governamentais de prevenção. Autoridades de saúde locais e nacionais monitoram a situação para avaliar medidas que garantam o acesso contínuo aos preservativos.
Especialistas indicam a necessidade de diversificar fornecedores e buscar alternativas regionais para reduzir a vulnerabilidade a crises internacionais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acompanha o cenário para facilitar importações e garantir a oferta no mercado interno.
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