Novonor vende controle da Braskem ao fundo Shine I; futuro dos investimentos no RS é incerto
Contrato assinado prevê venda de 50,1% das ações ordinárias, mas depende de aprovação da CVM
Pontos-chave
- Novonor e NSP Investimentos assinaram contrato para vender o controle da Braskem ao fundo Shine I, assessorado pela IG4 Capital.
- A operação envolve cerca de 50,1% das ações ordinárias e 34,3% do capital social total da petroquímica e depende de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- As unidades da Braskem no Rio Grande do Sul continuarão recebendo investimentos, mas o futuro dos empregos e investimentos locais é incerto.
- A transação está vinculada a uma venda judicial pela NSP, inserida em processo de reestruturação societária da Novonor.
- Há questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse na assessoria da IG4 Capital e falta de informações sobre os planos estratégicos do Shine I para a Braskem.
A Novonor (ex-Odebrecht) e a NSP Investimentos assinaram em 20 de abril de 2026 contrato para vender o controle da Braskem ao fundo Shine I, assessorado pela IG4 Capital. A operação envolve cerca de 50,1% das ações ordinárias e 34,3% do capital social total da petroquímica, mas ainda depende de aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Braskem, maior petroquímica da América Latina, mantém unidades industriais estratégicas em Triunfo, Montenegro, Nova Santa Rita e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O contrato prevê continuidade dos investimentos nessas plantas, que são importantes para a economia local e geração de empregos.
O Shine I é um Fundo de Investimento em Participações (FIP) que investe diretamente em empresas ao comprar participações com ações ordinárias e preferenciais organizadas na Classe A, com regras próprias para os investidores. O contrato regula, entre outros pontos, os termos e condições para a venda judicial pela NSP, inserida em processos de reestruturação societária da Novonor.
No pregão do dia 22 de abril, as ações da Braskem subiram 3,39%, cotadas a R$ 9,15, enquanto o Ibovespa avançou 0,18%, refletindo reação positiva do mercado ao anúncio da venda. A transação pode ajudar a reduzir o elevado endividamento da Novonor, que carrega dívidas garantidas por ações da Braskem, resultado de empréstimos contraídos após a Operação Lava Jato.
Apesar da expectativa, a conclusão da venda depende da aprovação regulatória da CVM, o que pode atrasar ou até impedir a operação. Além disso, não há informações claras sobre a experiência do Shine I na gestão de empresas do porte da Braskem, o que gera dúvidas sobre sua capacidade para conduzir a petroquímica em um setor capital-intensivo e volátil.
Impactos para a economia do Rio Grande do Sul
As unidades da Braskem no Rio Grande do Sul são importantes empregadoras e polos industriais. A mudança no controle da empresa pode influenciar a política de investimentos e a manutenção dos empregos nessas localidades. Até o momento, não há anúncios oficiais sobre alterações na gestão local ou planos específicos para as plantas após a venda.
O cenário econômico atual, com a taxa Selic em 14,75% e inflação acumulada de 0,88%, eleva o custo do capital e pode afetar o ritmo dos investimentos da Braskem. A cotação do dólar a R$ 4,96 também impacta os custos de insumos importados e a competitividade das exportações da petroquímica.
Riscos regulatórios e judiciais da operação
O contrato prevê que o Shine I deve protocolar pedido de registro de oferta pública para aquisição das ações junto à CVM, etapa que ainda está pendente. A venda judicial pela NSP indica que a transação está vinculada a processos legais e reestruturação da Novonor, o que pode criar incertezas quanto a prazos e condições finais.
Há questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse na assessoria da IG4 Capital, que poderia ter vínculos com os vendedores, o que exige maior transparência para garantir a lisura da operação. A falta de declarações oficiais dos envolvidos sobre os planos estratégicos do Shine I para a Braskem reforça a necessidade de acompanhamento atento do mercado e dos órgãos reguladores.
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