Polilaminina vira febre no Brasil sem comprovação e com riscos à saúde
Medicamento experimental para lesões medulares é usado por decisões judiciais e marketing, apesar da falta de eficácia comprovada
Pontos-chave
- Polilaminina está em fase 1 de testes clínicos desde janeiro de 2026, sem comprovação científica definitiva.
- Uso compassivo autorizado para 38 pacientes e 72 pedidos judiciais indicam popularidade crescente apesar dos riscos.
- Especialistas alertam para riscos à saúde e criticam divulgação precoce e interesses econômicos envolvidos.
A polilaminina, medicamento experimental para lesões medulares, tornou-se popular no Brasil mesmo sem comprovação científica definitiva e registro oficial, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O uso compassivo autorizado para 38 pacientes e 72 pedidos judiciais indicam uma demanda crescente, apesar dos riscos à saúde e da fase inicial de testes.
A Anvisa liberou em janeiro de 2026 o início dos estudos clínicos de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina em humanos, etapa preliminar que precede outras duas fases necessárias para comprovar eficácia e segurança, conforme a agência reguladora e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A substância, descoberta no Brasil há quase 30 anos pela pesquisadora Tatiana Sampaio da UFRJ, mostrou resultados promissores em modelos experimentais, mas ainda não tem eficácia comprovada em humanos, segundo a Agência Brasil e a revista Saúde Abril. Estudos preliminares indicam que até 15% dos pacientes com lesão completa podem recuperar movimentos naturalmente, o que pode confundir a percepção pública sobre o medicamento.
A popularização da polilaminina foi impulsionada por uma combinação de idealismo acadêmico, estratégia de marketing da empresa Cristália e priorização regulatória do governo federal, segundo o podcast UOL Prime #119. A Cristália investiu milhões no desenvolvimento e divulgação do medicamento, mas reforça que não pode comercializá-lo sem registro oficial, conforme nota da empresa.
Entidades científicas brasileiras alertam para a necessidade de cautela diante da divulgação precoce e da falta de comprovação robusta, destacando riscos como reações adversas e produção de anticorpos contra a polilaminina, que podem causar complicações imunológicas, conforme comunicado conjunto e exigência da Anvisa.
Uso compassivo e decisões judiciais ampliam acesso sem garantia científica
A Anvisa autorizou o uso compassivo da polilaminina para pacientes graves, liberando 38 casos até março de 2026, enquanto 72 pedidos judiciais foram protocolados para aplicação do medicamento, segundo dados oficiais da agência reguladora. Esse cenário evidencia o caráter experimental e não comercial do produto, mas amplia seu uso fora dos protocolos científicos tradicionais.
A pesquisadora Tatiana Sampaio admitiu erros em estudos preliminares, mas manteve a defesa da eficácia da molécula, gerando controvérsia na comunidade científica, conforme reportagem do Valor Econômico. A maior parte dos especialistas questiona a forma de divulgação e a criação de expectativas desproporcionais, não a competência da pesquisadora.
Riscos à saúde e falta de dados oficiais preocupam especialistas
A Anvisa exige monitoramento rigoroso das reações adversas, incluindo a possibilidade de produção de anticorpos contra a polilaminina, o que pode agravar o quadro clínico dos pacientes, segundo a agência. No entanto, ainda faltam dados oficiais sobre os efeitos colaterais e complicações decorrentes do uso em humanos.
O Ministério da Saúde acompanha o desenvolvimento do medicamento, mas não há previsão para sua incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), conforme informações da Agência Brasil. Em Piracicaba e região, não há dados oficiais sobre o uso da polilaminina, mas a tendência nacional indica aumento da demanda e riscos associados.
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