PIRACICABA (SP) 3 min de leitura
27 de maio de 2020

Profissional da saúde diz se sentir desrespeitado com pouco isolamento em Piracicaba

O isolamento social é uma das formas de enfrentamento ao coronavírus mais eficazes nessa guerra que tem vitimado muitas pessoas em todo o mundo. Porém, muitos brasileiros infelizmente seguem desrespeitando essa regra e continuam saindo às ruas normalmente, mesmo sem necessidade. Aqui em Piracicaba não tem sido diferente. Com uma média de adesão de apenas 41,6% — quando o ideal seria 70% — o desrespeito dos piracicabanos com o isolamento social tem entristecido até os profissionais da saúde.

Profissional da saúde diz se sentir desrespeitado com pouco isolamento em Piracicaba
Foto: Arquivo Pessoal.

Fernando Alves, de 40 anos, é um dos profissionais de saúde que se diz desrespeitado com a falta de engajamento dos piracicabanos. Conhecido como Fefo, o profissional trabalha no Hospital da Unimed, uma das unidades de saúde que têm atuado na linha de frente contra o coronavírus. Atualmente, ele se encontra em isolamento domiciliar por ter sido diagnosticado com a Covid-19.

“Recebi o diagnóstico no dia 18, por meio de exames feitos na própria Unimed, ma os sintomas começaram a se manifestar mesmo no dia 15”, conta ele. “Primeiro começou com coriza e dor nos pés, depois veio tosse e dor de cabeça. No dia 18, eu acordei com muita dor de cabeça e no corpo, por isso decidi ligar para a minha chefe na Unimed.”

Após ser submetido aos exames, o resultado de Fefo veio positivo para o coronavírus.

É por essa razão que a Secretaria Municipal de Saúde tem dito aos piracicabanos para ir aos hospitais estritamente em caso de urgência. Os hospitais são áreas de risco, e a chance de contrair a doença por ali é maior do que se comparada a transportes públicos, bancos e lotéricas. Além disso, os hospitais, obviamente, atendem pessoas contaminadas, o que faz com que as partículas do vírus estejam não somente em seus corredores, mas também em todas as suas proximidades – nas ruas.

Quando pergunto a Fefo quais formas de proteção ele e seus colegas de trabalho adotaram no hospital para se proteger da doença, ele responde que, no setor em que trabalhava, a utilização de máscaras, óculos e luvas era obrigatória para a proteção. “No meu setor trabalham cerca de 15 pessoas, sendo que, até o momento, eu e mais um colega testamos positivo para o coronavírus. O meu colega está internado. Eu, graças a Deus, estou em isolamento domiciliar”, diz ele.

Nesta quarta-feira (27), Fefo completou nove dias de afastamento da Unimed. Agora só no dia 02 de junho ele fará outro exame para saber como seu organismo tem enfrentado a Covid-19.

Para ele, é uma tristeza que os piracicabanos ainda não estejam levando a sério a questão do isolamento social. “É muito triste. Nós, profissionais da saúde, nos dedicamos para cuidar do próximo e o fato das pessoas não levarem essa epidemia a sério me deixa muito triste. Nosso trabalho não está sendo respeitado. Nos arriscamos todos os dias para o bem do próximo, a população colaborar com sua parte, fazendo corretamente o isolamento.”

Ele deixa um apelo. “Por favor, se cada um fizer a sua parte, vamos sair mais rápido desse isolamento e voltar à nossa vida normal.”

Dificuldades dentro de casa

Apesar de estar diagnosticado com coronavírus, Fefo continua morando com seus pais e também com o filho. Para que não haja risco de contaminar seus familiares, ele conta que está trancado dentro do seu quarto 24 horas por dia, se comunicando com seus familiares apenas por telefone, mesmo todos estando debaixo do mesmo telhado.

“Eu estou totalmente dentro do quarto. Meu pai improvisou uma mesa na janela do meu quarto e ele coloca as minhas refeições nessa mesa, assim eu não fico em contato nem com ele, nem com ninguém. Falo com eles apenas por vídeos ou telefonema. Está bem difícil.”

Profissional da saúde diz se sentir desrespeitado com pouco isolamento em Piracicaba
Foto: Arquivo Pessoal.

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