Lula alerta sobre riscos de bets e big techs à democracia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em 17 de abril de 2026 (sexta-feira), que as apostas digitais contribuem para o endividamento das famílias brasileiras e defendeu regulação mais rígida do setor. As declarações foram feitas em coletiva de imprensa em Barcelona, na Espanha, após o anúncio de acordos entre os governos brasileiro e espanhol.
A fala amplia o debate sobre controle de plataformas digitais no Brasil. O país historicamente restringiu jogos de azar, mas a expansão das apostas online criou um novo cenário: segundo Lula, o cassino “entrou dentro da casa das pessoas” pelo celular. O governo já adotou medidas como a proibição de celulares em escolas do ensino fundamental — ação que o presidente classificou como “sucesso extraordinário”.
Apostas digitais como fator de endividamento
Lula foi direto ao apontar o problema. “Uma das coisas que está endividando a sociedade, fazendo com que ela gaste aquilo que não poderia gastar, são as apostas no mundo digital”, disse o presidente, segundo a Agência Brasil.
Para Lula, as plataformas de aposta estimulam gastos que não cabem no orçamento familiar, aprofundando dificuldades financeiras já existentes. A avaliação é que a ausência de regulação coloca em risco a saúde mental e financeira da população.
Big techs, soberania e ano eleitoral
O presidente ampliou o argumento para além das apostas. Lula defendeu que todas as plataformas digitais que causem dano à democracia ou à soberania dos países precisam ser reguladas — e citou o contexto eleitoral como agravante.
“Espero que o mundo tenha consciência de que este é um problema da humanidade. Precisamos regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania aos nossos países, de forma a não permitir intromissões vindas de fora, sobretudo no ano eleitoral. Mundo afora, estão sendo criadas verdadeiras fábricas ou fazendas de mentiras”, declarou.
O presidente não detalhou quais propostas legislativas o governo pretende encaminhar ao Congresso para regulamentar big techs, nem citou prazos para apresentação de projetos de lei.
Proibição de celulares nas escolas como precedente
Lula usou a vedação ao uso de celulares no ensino fundamental como exemplo da capacidade do governo de agir contra danos digitais. “As crianças voltaram a se comportar como seres humanos. Voltaram a fazer um monte de brincadeiras, como sempre faziam, e esqueceram um pouco o celular”, afirmou.
A medida serviu de argumento para justificar ações mais amplas. Lula garantiu que o governo avançará na regulação de plataformas digitais que causem dano à democracia, à soberania e, nas palavras do presidente, “à felicidade das pessoas”.
Desafio global sem resposta doméstica definida
O presidente reconheceu que o problema ultrapassa fronteiras e exige resposta coletiva dos países. A coletiva em Barcelona ocorreu no contexto de acordos bilaterais entre Brasil e Espanha que incluem temas de tecnologia digital e big techs — mas os detalhes dos acordos firmados não foram divulgados.
Não há informação confirmada sobre cronograma legislativo, votações previstas no Congresso ou posição dos principais blocos partidários sobre o tema.
Com informações da Agência Brasil.
Publicado em: 17/04/2026
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