Unicamp aponta possível transmissão urbana do vírus Mayaro em Roraima
Pesquisa revela circulação do Mayaro entre humanos e indícios de novos vírus na Amazônia
Pontos-chave
- Estudo da Unicamp sugere possível transmissão urbana do vírus Mayaro em Roraima.
- 60% das amostras febris testaram negativo para oito vírus conhecidos.
- Desequilíbrio ambiental e migração intensificam riscos de novas doenças na Amazônia.
- Boa Vista concentrou a maioria dos casos de Mayaro identificados.
- Vigilância epidemiológica é essencial para detectar novas ameaças virais.
Pesquisadores do Instituto de Biologia da Unicamp identificaram a circulação do vírus Mayaro entre humanos em Roraima, com possível transmissão urbana e sinais de novos patógenos em pacientes febris, segundo estudo divulgado em abril de 2026.
Mayaro: sintomas, transmissão e desafios
O vírus Mayaro (MAYV) provoca sintomas semelhantes à dengue e chikungunya, como febre, dores musculares e articulares, fadiga, dor de cabeça e erupção cutânea. O principal vetor é o mosquito silvestre Haemagogus, que vive nas copas das árvores. O diagnóstico é dificultado pela semelhança clínica com outras arboviroses.
Dados do estudo e indícios de novos vírus
Entre 2018 e 2021, 822 amostras de pacientes febris foram analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Roraima (Lacen-RR). O Mayaro foi detectado em 3,4% das amostras, enquanto 60% testaram negativo para oito vírus, sugerindo a circulação de patógenos ainda não identificados. A cepa identificada pertence ao genótipo D, também presente no Amazonas, Peru e Venezuela. Boa Vista concentrou a maioria dos casos de Mayaro identificados no estudo, com predominância masculina e idade mediana de 31 anos.
Impacto ambiental e riscos emergentes
O estudo atribui o surgimento e disseminação de arboviroses ao desequilíbrio ambiental causado por desmatamento, queimadas e exploração ilegal. A combinação desses fatores com fluxos migratórios intensos potencializa a emergência de novos vírus. “Havia o indicativo de que aquelas pessoas estavam doentes. Alguma coisa elas tiveram, a gente que não conseguiu achar”, explica José Luiz Proença Módena, coordenador do Laboratório de Estudos de Vírus Emergentes (LEVE) da Unicamp.
Vigilância epidemiológica e orientações
A febre de Mayaro não tem tratamento específico e o manejo é sintomático. O Ministério da Saúde orienta que pacientes com febre e dores articulares procurem unidades de saúde para diagnóstico diferencial. O estudo reforça a necessidade de vigilância epidemiológica aprimorada na Amazônia para detecção precoce de novas ameaças virais.
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