Exército repassou R$ 39 mi ao Banco Master antes de liquidação; COAF aponta irregularidades
Militares tiveram descontos em contracheque e repasses concentrados em uma única titularidade
Pontos-chave
- Exército repassou R$ 39 milhões ao Banco Master entre 2024 e 2025.
- Relatório do Coaf aponta possíveis irregularidades nos repasses.
- Banco Central decretou liquidação extrajudicial do Banco Master.
- Militares enfrentaram dificuldades após liquidação do banco.
- Investigações evidenciam riscos e falhas de fiscalização.
O Exército Brasileiro repassou R$ 39 milhões ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, entre agosto de 2024 e outubro de 2025, referentes a descontos de empréstimos consignados de militares da ativa e da reserva. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025. O Exército rescindiu unilateralmente o contrato em 24 de novembro de 2025.
Segundo relatório do Coaf, os repasses apresentaram possíveis irregularidades, como débito imediato dos valores e concentração dos recursos em uma única titularidade. O Exército afirma que atuou apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e repassando mensalmente os valores ao banco, sem perda patrimonial para a Força ou para os cofres públicos.
O credenciamento do Banco Master ocorreu após edital público, com comprovação de requisitos jurídicos, fiscais e financeiros. O contrato inicial, firmado em fevereiro de 2023, foi prorrogado duas vezes, estendendo os serviços de empréstimo consignado até janeiro de 2027. Dados do Portal da Transparência confirmam os valores citados, com repasses totais de R$ 39 milhões entre agosto de 2024 e outubro de 2025.
A liquidação do Banco Master expôs riscos para militares que tinham contratos de empréstimo consignado, especialmente diante de indícios de fraude envolvendo autoridades políticas e servidores do Banco Central. Daniel Vorcaro, dono do banco, é citado nas investigações, mas não há confirmação de prisão em novembro de 2025.
A Polícia Militar de São Paulo rompeu acordo com o Banco Master para concessão de empréstimos consignados a servidores após o relatório do Coaf. O INSS suspendeu operações de consignado do Banco Master para aposentados e pensionistas após identificação de irregularidades.
Impacto financeiro e relatos de militares
Militares afetados pela liquidação enfrentaram dificuldades para renegociar dívidas e acessar informações sobre contratos ativos. O Exército informou que os valores repassados eram oriundos de rendimentos particulares dos militares, destinados ao pagamento de dívidas privadas. No entanto, o relatório do Coaf aponta que a concentração dos recursos em uma única titularidade pode indicar práticas irregulares na gestão dos consignados.
Em Piracicaba e região, a Polícia Federal investigou movimentações financeiras relacionadas ao Banco Master. Militares locais relataram dificuldades para obter informações sobre o destino dos valores descontados e sobre a continuidade dos contratos após a liquidação do banco.
Lucro do Banco Master e contexto econômico
O Banco Master arrecadou mais recursos com a venda de carteiras de crédito consignado do que com a cobrança de juros em 2024. O cenário de juros elevados, com SELIC a 14,75% em abril de 2026, favoreceu a expansão dos consignados, mas também ampliou riscos de inadimplência e fraudes.
O caso do Banco Master é considerado um dos maiores escândalos bancários recentes, segundo relatório de investigação. A liquidação extrajudicial e as investigações do Coaf e da Polícia Federal evidenciaram falhas de fiscalização e riscos para servidores públicos e militares que recorreram ao crédito consignado como alternativa de financiamento em um período de inflação controlada (IPCA de 0,88% em março de 2026) e dólar em alta (R$ 4,9695 em abril de 2026).
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