Ibovespa cai 1,55% com ataques iranianos; dólar recua a R$ 4,969
Tensão no estreito de Hormuz eleva volatilidade e pressiona ativos no Brasil
Pontos-chave
- Ibovespa recuou 1,55%, fechando aos 193.076 pontos em 22/04/2026.
- Dólar comercial caiu 0,15%, cotado a R$ 4,969, em meio a volatilidade global.
- Ataques iranianos e suspensão das negociações EUA-Irã elevam prêmio de risco e afetam setores industriais.
- Ações do setor petrolífero brasileiro avançaram, refletindo expectativa de alta no preço do petróleo.
- Tensão prolongada no estreito de Hormuz pode pressionar inflação e custos de produção no Brasil.
A Bolsa brasileira recuou 1,55% nesta quarta-feira (22), pressionada por novos ataques iranianos a embarcações no estreito de Hormuz e pela suspensão das negociações entre EUA e Irã. O dólar comercial caiu 0,15%, cotado a R$ 4,969, em meio a um cenário global misto e à persistente incerteza geopolítica.
O Ibovespa fechou aos 193.076 pontos, revertendo parte da trajetória de alta observada nos primeiros meses de 2026. O recuo acompanha o aumento do prêmio de risco global provocado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio, que afetam diretamente setores estratégicos do mercado brasileiro, especialmente o de energia.
Os ataques iranianos atingiram navios de carga no estreito de Hormuz, como o MSC Francesca e o Epaminondas, elevando o risco para o tráfego naval na região, considerada estratégica para o transporte de petróleo mundial. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou a captura de dois navios de contêineres, intensificando a tensão.
Apesar da prorrogação por prazo indeterminado do cessar-fogo anunciada pelos EUA, as negociações estão suspensas, com o Irã recusando participar enquanto o bloqueio naval americano no estreito persistir. O vice-presidente americano J. D. Vance adiou sua viagem ao Paquistão, segundo fontes oficiais, atrasando o diálogo diplomático.
No mercado financeiro, as ações do setor petrolífero brasileiro reagiram positivamente, com Petrobras, Prio e PetroRecôncavo avançando entre 1,21% e 3,81%, refletindo a expectativa de alta nos preços do petróleo, que giram em torno de US$ 100 o barril Brent.
Impactos na economia brasileira e no mercado local
A instabilidade no Oriente Médio aumenta a volatilidade dos ativos e mantém o prêmio de risco elevado, segundo consultores financeiros. A taxa SELIC em 14,75% mantém o custo do crédito alto, agravando o ambiente econômico em meio à inflação acumulada de 0,88% nos últimos meses.
O dólar recuou levemente, mas a volatilidade cambial persiste, afetando setores industriais e exportadores brasileiros que dependem de insumos importados e enfrentam custos logísticos elevados. Empresas buscam estratégias de hedge para mitigar riscos diante da incerteza prolongada.
No exterior, bolsas americanas fecharam em alta (S&P 500 +0,71%, Nasdaq +1,39%), enquanto europeias recuaram, refletindo a divergência no impacto geopolítico e nas expectativas econômicas globais.
Perspectivas e riscos para os próximos meses
Analistas alertam que a prorrogação do cessar-fogo pode gerar falsa sensação de estabilidade. A continuidade do bloqueio naval e a fragmentação política interna no Irã dificultam avanços nas negociações, mantendo o mercado em alerta.
A prolongada tensão no estreito de Hormuz pode pressionar ainda mais os preços do petróleo e a volatilidade cambial, impactando diretamente a inflação e os custos de produção no Brasil. Investidores adotam posições defensivas, enquanto o cenário político e econômico global segue incerto.
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