Cessar-fogo no Líbano: Retirada de tropas e armas do Hezbollah
Um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah entrou em vigor à meia-noite no Líbano, encerrando seis semanas de conflito que matou mais de 2.100 pessoas, segundo autoridades de saúde libanesas. O acordo, anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, tem duração inicial de 10 dias e deixa em aberto questões centrais para uma paz duradoura.
Mais de um milhão de libaneses — aproximadamente um em cada cinco habitantes do país — foram deslocados durante o conflito. Famílias com colchões no teto dos carros e motociclistas carregados com pertences tomaram as estradas em direção ao sul do Líbano, reduto do Hezbollah, logo nas primeiras horas após a trégua. Tiros para o alto e fogos de artifício marcaram o início do cessar-fogo em Beirute.
Territórios ocupados e o impasse sobre a retirada israelense
O cessar-fogo não menciona a retirada das tropas israelenses do sul do Líbano. Funcionários israelenses afirmam que o objetivo é criar uma zona-tampão de segurança de vários quilômetros de profundidade na fronteira. Cidades e vilarejos próximos à fronteira permanecem sob ocupação israelense, e moradores dessas áreas podem não ter permissão para voltar.
O subúrbio sul de Beirute controlado pelo Hezbollah, conhecido como Dahieh, permaneceu relativamente quieto nas primeiras horas. Parte do bairro foi reduzida a escombros durante o conflito. Na orla da capital, centenas de famílias deslocadas que viviam em tendas improvisadas disseram temer o retorno, segundo a BBC.
Hezbollah recusa desarmamento e reforça laços com o Irã
O acordo também não resolve a questão das armas do Hezbollah — exigência dos EUA, de Israel e de parcela dos próprios libaneses, que acusam o grupo de defender interesses do Irã em detrimento do país.
Wafiq Safa, membro de alto escalão do conselho político do Hezbollah, disse à BBC que o grupo “nunca, jamais se desarmará”. Safa afirmou ainda que “não pode haver Hezbollah sem o Irã, e nenhum Irã sem o Hezbollah”, descrevendo a relação como “duas almas em um único corpo”.
O presidente libanês Joseph Aoun reconheceu que o desarmamento não pode ser imposto pela força e alertou para o risco de violência, afirmando que qualquer solução exige negociação com o grupo. Observadores avaliam que, dado o papel do Irã, decisões sobre o futuro das armas do Hezbollah tendem a ser tomadas em Teerã — não em Beirute.
Acordo autoriza Israel a atacar o Líbano mesmo durante a trégua
O texto do cessar-fogo permite que Israel continue a realizar ataques ao Líbano citando preocupações de segurança, segundo a BBC. Os termos completos do acordo e o que acontece após os 10 dias iniciais da trégua não foram tornados públicos.
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